- O estudo “Juventudes Brasileiras Minorizadas” analisa treze perfis de jovens vulneráveis e aponta desigualdades estruturais de raça, renda, gênero e território que dificultam o acesso a direitos.
- Dados da PNAD Contínua 2025 mostram mais de quarenta e seis milhões de jovens entre quinze e vinte e nove anos; cerca de sete milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica (17%), com sete em cada dez sendo negros; onze milhões vivem em situação de pobreza, e quarenta por cento da juventude pobre é composta por mulheres negras.
- Desafios como difícil acesso à internet, longos deslocamentos e necessidade de conciliar estudo e trabalho agravam desigualdades, amplificando trajetórias de exclusão.
- Juventude rural enfrenta desigualdades ainda maiores: 33% dos jovens rurais estão fora da escola sem concluir a educação básica; a informalidade atinge 69% dessas jovens, contra 41% em áreas urbanas; entre indígenas, analfabetismo é três vezes maior que entre não indígenas e apenas 42% dos jovens indígenas de 18 a 29 anos concluíram o ensino médio; entre quilombolas, cerca de 30% apresentam atraso escolar.
- Violência e discriminação impactam educação e inserção profissional: jovens negros sofrem violência urbana quatro vezes mais que os brancos; jovens LGBTQIAPN+ enfrentam agressões e cyberbullying que prejudicam a permanência escolar; entre adolescentes com filhos, 60,8% de 15 a 19 anos estão fora da escola sem concluir os estudos.
O estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas, divulgado nesta terça-feira (26), mapeia 13 perfis de jovens vulneráveis a desigualdades. A publicação reúne 14 artigos de especialistas e relatos de jovens, com apoio da Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho, Iede e Unicef. O objetivo é evidenciar causas estruturais que afetam educação e inserção no trabalho.
A pesquisa aponta que desigualdades de raça, renda, gênero e território prejudicam o acesso a direitos básicos. Entre os grupos analisados estão jovens negros, indígenas, quilombolas, rurais, LGBTQIAPN+, mães adolescentes, pessoas com deficiência, jovens em trabalho infantil e refugiados.
Acesso à educação
Segundo dados da PNAD Contínua 2025 usados no estudo, o Brasil tem mais de 46,5 milhões de jovens de 15 a 29 anos. Desses, 7,9 milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica, o que representa 17% da população jovem. Entre eles, 70% são negros.
A pesquisa também indica que 11,9 milhões de jovens vivem em situação de pobreza. Entre os em extrema pobreza, 74,9% são negros, e mulheres negras correspondem a 40% da juventude pobre.
Segundo os pesquisadores, fatores como dificuldade de acesso à internet, deslocamentos longos, conciliar estudo e trabalho e inserção precoce em ocupações precárias ampliam desigualdades históricas.
Rosalina Soares, superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho, enfatiza a importância de ouvir os jovens para subsidiar políticas públicas mais inclusivas, que considerem as vozes de diferentes perfis.
Desafios na educação vão além das estatísticas e envolvem trajetórias reais, sonhos interrompidos e dificuldades cotidianas marcadas pela desigualdade.
Juventude rural
O estudo mostra desigualdades acentuadas em territórios vulneráveis. Em áreas rurais, 33% dos jovens estão fora da escola sem concluir a educação básica, o dobro do urbano. A informalidade atinge 69% das juventudes rurais, contra 41% nas cidades.
Entre indígenas, a taxa de analfabetismo é três vezes maior que entre não indígenas, e apenas 42% dos jovens indígenas de 18 a 29 anos concluíram o ensino médio. Entre quilombolas, o aumento de matrículas não elimina atraso escolar, com cerca de 30% dos estudantes apresentando atraso.
Discriminação e violência
A violência e a discriminação impactam trajetórias educacionais e profissionais. Jovens negros sofrem violência urbana em proporção quatro vezes maior que brancos. Jovens LGBTQIAPN+ enfrentam agressões verbais, físicas e cyberbullying que afetam a permanência escolar.
Mônica Dias Pinto, responsável pela educação do Unicef Brasil, ressalta a necessidade de políticas públicas articuladas para permanência escolar e inclusão produtiva, levando em conta a interseção de cor, raça e renda.
A relação entre escolaridade e inserção profissional também aparece entre jovens mães. Dados da PNS de 2019 indicam que, entre 15 e 19 anos, 60,8% dos filhos de mães ainda não concluíram os estudos.
Em defesa da inclusão, a pesquisa traz relatos de jovens que atuam como mães ou trabalhadoras informais, destacando a importância de ampliar oportunidades sem depender de iniciativas isoladas.
Trabalho infantil
A pesquisa reforça que adolescentes submetidos ao trabalho infantil enfrentam maior exclusão escolar e dificuldades de aprendizagem. Em 2024, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam nessa situação, segundo a PNAD Contínua.
Ernesto Martins Faria, do Iede, aponta que o estudo amplia o olhar sobre juventudes invisíveis em estatísticas tradicionais, evidenciando a diversidade de 13 grupos que merecem atenção específica.
Os organizadores defendem que os dados podem subsidiar políticas públicas voltadas à permanência escolar, proteção social, redução de desigualdades e promoção de trabalho digno para jovens em situação de vulnerabilidade.
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