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Olivier Toni, centenário de um artesão da música

Centenário de Olivier Toni marca legado de educador musical que criou escolas e orquestras públicas em São Paulo e estruturou a música na USP

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  • Olivier Toni (1926‑2017) foi maestro, instrumentista, regente e compositor, criador do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, com atuação marcada por uma visão humanista e crítica.
  • Rubens Ricciardi, atual maestro da USP‑Filarmônica, foi um de seus alunos e relembra a parceria com Toni, inclusive a peça Estudo para Orquestra, com solo de berimbau, apresentada pela OSESP em 1999.
  • Toni idealizou e estruturou espaços públicos gratuitos para o ensino e a prática musical em São Paulo, como a Escola Municipal de Música de São Paulo e várias orquestras de referência, além de contribuir para o curso de Música na USP de Ribeirão Preto.
  • Fundou a Orquestra Jovem Municipal de São Paulo (mais tarde Orquestra Experimental de Repertório) e a Orquestra de Câmara da ECA, promovendo a integração entre ensino superior e prática profissional.
  • O legado de Toni também fica registrado no Festival de Prados, que começou em 1977 para levar música a estudantes de Minas Gerais, e continuará a ser lembrado em 2026 com homenagens a Toni e a Adhemar Campos Filho.

Olivier Toni, maestro que completaria 100 anos, foi figura central na construção de espaços públicos de música em São Paulo e na consolidação da formação musical na USP. Instrumentista, regente, compositor e criador do Departamento de Música da ECA-USP, ele deixou um legado de iniciativas coletivas para ampliar o acesso à educação musical.

Vivia a convicção de que a música deveria dialogar com filosofia, literatura e história, fortalecendo uma formação crítica. Ao lado de alunos e colegas, Toni articulou instituições públicas, gratuitas e estáveis, abrindo espaço para jovens de baixa renda aprender música ao lado de músicos profissionais.

O relato de familiares e ex-alunos releva uma atuação pautada pela cidadania e pelo pensamento humano na música. A seguir, comunidades acadêmicas e culturais lembram ações que moldaram o cenário musical paulista, especialmente na USP, na Câmara de Ribeirão Preto e em Minas Gerais.

Músico fundador

A criação da Escola Municipal de Música de São Paulo, em 1969, é destacada entre as iniciativas de Toni. A ideia surgiu após ele apresentar ao prefeito a necessidade de escolas de música públicas, não apenas estimulos privados, para ampliar o acesso ao estudo musical. O projeto ganhou impulso rapidamente.

Toni também teve papel central na organização de orquestras e câmaras, como a Orquestra Jovem Municipal de São Paulo e a Orquestra de Câmara da USP. Essas estruturas, segundo Rubens Ricciardi, ajudaram a consolidar a prática educativa aliada à atuação artística.

Reforma e expansão acadêmica

Ao longo dos anos, Toni apoiou a fundação de cursos de Música na USP de Ribeirão Preto, que mais tarde ganhou autonomia como Departamento de Música da FFCLRP-USP, em 2011. Ele regeu a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto em várias ocasiões antes da criação da USP Filarmônica.

A atuação dele também influenciou a Formação de docentes e a implementação de programas interdisciplinares na ECA-USP, buscando conectar música, artes e humanidades. No campo pedagógico, o objetivo era oferecer formação integral, com foco no aprimoramento técnico e crítico.

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