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Cólica menstrual atrasa rotina de 60% das alunas no Brasil, aponta estudo

Cólicas afetam frequência escolar de alunas; menarca precoce aumenta dores, destacando necessidade de adaptação escolar e educação menstrual

Dor menstrual afeta rotina escolar de seis em cada 10 alunas; quatro em cada 10 faltam às aulas mensalmente
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  • Estudo do Instituto Alana e Equidade.info com 2.552 pessoas aponta que 4 em cada 10 meninas que menstruam já faltaram às aulas pelo menos uma vez por mês devido à dor.
  • A cólica é o principal sintoma que afeta o desempenho escolar, seguida de fadiga e dores no corpo; cerca de 20,1% relatam vergonha e medo de vazamento de sangue.
  • 8,2% das alunas relatam falta de banheiro e itens de higiene básica; destacam desigualdades no acesso à educação menstrual.
  • A maioria das meninas começou a menstruar até os 10 anos (36,5%); entre quem menstruou até os 10 anos, 43% têm cólicas intensas, contra 27% entre 11 e 12 anos.
  • Disparidades raciais e socioeconômicas: 14,5% das meninas negras faltaram de dois a cinco dias, ante 9,6% das brancas; reforçam a necessidade de integração entre saúde e educação para reduzir desinformação.

O estudo divulgado pelo Instituto Alana e Equidade.info mostra que cólicas menstruais afetam a rotina escolar de 6 em cada 10 alunas no Brasil. A pesquisa, com 2.552 participantes, aponta que 4 em cada 10 meninas que menstruam faltaram às aulas pelo menos uma vez por mês devido à dor. Também identificou impacto na performance, fadiga e sensação de vergonha.

Entre as entrevistadas, a cólica foi o principal sintoma que atrapalha o desempenho acadêmico, seguida de cansaço e dores no corpo. Cerca de 20,1% relataram vergonha ou medo de vazamento, destacando a necessidade de educação menstrual nas escolas. Falta de estrutura como banheiros e itens de higiene também surgem como queixas relevantes.

Menstruação precoce e intensidade das cólicas

A pesquisa revela que 36,5% das alunas começaram a menstruar até os 10 anos, enquanto 65,2% tiveram a primeira menarca após os 11. Dados sugerem que início precoce está associado a dores mais intensas: 43% das que iniciaram aos 10 relatam cólicas fortes, contra 27% entre 11 ou 12 anos.

Mariana Granado, ginecologista, aponta fatores nutricionais, ambientais e genéticos como influentes. Ela ressalta que o peso corporal na infância pode intensificar as dores e que a maturidade emocional também afeta a frequência escolar durante o ciclo.

Adaptação escolar e educação menstrual

Especialistas defendem ampliar o conhecimento sobre menstruação a todo o corpo escolar para reduzir preconceitos. A orientação é preparar as estudantes para mudanças no corpo, inclusive dores que não são normais, facilitando a busca por avaliação médica quando necessária.

Joyce Martins reforça a necessidade de educação continuada que envolva educadores e alunas. Medidas práticas, como orientar sobre uso de absorvente e opções de troca de roupa, ajudam a deixar o ambiente escolar mais acolhedor durante o período menstrual.

Desigualdades e acesso à saúde

O estudo aponta diferenças raciais e socioeconômicas na experiência menstrual. Meninas brancas relatam mais dores intensas, porém há subnotificação entre meninas negras, que também enfrentam maiores barreiras de acesso à informação e serviços de saúde. As faltas são maiores entre meninas negras, com 14,5% ausentes por dois a cinco dias.

A relação entre desinformação menstrual e condições sociais é enfatizada pelos especialistas. A falta de acesso a absorventes, medicamentos e educação adequada agrava o impacto da menstruação nas alunas de contextos mais vulneráveis.

Integração entre saúde e educação

Estimativas indicam que cerca de 1 em 3 meninas pode precisar de avaliação clínica para cólicas fortes, com possibilidades de condições como endometriose, que pode ter diagnóstico tardio. A integração entre saúde e educação é vista como essencial para melhorar o reconhecimento de sintomas e o encaminhamento médico.

Profissionais recomendam cooperação entre escolas e serviços de saúde para oferecer materiais educativos, palestras e atendimento de acolhimento. A atuação conjunta visa reduzir o estigma e ampliar o acesso a informações e cuidados.

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