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Crianças desaprendem a brincar: o celular pode fazer parte da explicação

Excesso de telas na infância substitui brincar, convivência e criatividade, afetando atenção, frustração e regulação emocional das crianças

Excesso de telas na infância
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  • Crianças com uso intenso de telas estão substituindo brincar livre, convivência e criatividade na rotina.
  • Efeitos observados incluem dificuldade de concentração, menor tolerância à frustração, irritabilidade e interesse reduzido por brincadeiras espontâneas.
  • Especialistas indicam que o problema vai além do tempo de tela: é o espaço que a tecnologia passa a ocupar nas experiências infantis.
  • A música é sugerida como estímulo alternativo, pois trabalha atenção, memória, emoção e interação social, além de promover foco e criatividade.
  • Medidas para reduzir o tempo de tela sem conflito incluem criar brincadeiras fora das telas, ter materiais acessíveis, passeios ao ar livre, momentos sem telas e atividades em família.

O uso excessivo de celulares na infância está levando famílias a questionarem se as crianças estão desaprendendo a brincar. Em casa, o comportamento costuma aparecer assim: a criança guarda o celular, reclama ou pergunta o que fazer em seguida, e perde interesse por brinquedos ou leitura em poucos minutos.

Especialistas apontam que o problema vai além do tempo de tela. O espaço que o digital passa a ocupar na rotina pode substituir experiências importantes do desenvolvimento, como brincar livre, convivência, criatividade e a capacidade de lidar com o tédio. Quando o celular domina a rotina, o que a criança vive pode ficar em segundo plano.

A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem explica que o cérebro infantil precisa de experiências variadas para desenvolver habilidades emocionais, cognitivas e sociais. O brincar, o tédio e a imaginação ajudam na autonomia e na autorregulação emocional, segundo a especialista.

Hoje, muitos relatos de pais envolvem a sensação de que a criança só quer celular, ou demonstra pouco interesse por atividades simples do dia a dia. A profissional ressalta que o brincar não é apenas passatempo; é a via pela qual a criança organiza emoções, aprende a lidar com frustrações, desenvolve linguagem, imaginação e habilidades sociais.

O que o excesso de telas está mudando na infância

Profissionais de desenvolvimento infantil observam sinais como dificuldade de concentração, irritabilidade e baixa tolerância à frustração entre crianças expostas a estímulos digitais por longos períodos. Quando estímulos rápidos predominaram, atividades que exigem espera e resolução de problemas tendem a ficar em segundo plano, afirma a terapeuta.

A pesquisadora reforça que o cérebro infantil precisa de experiências diversas para evoluir emocional e cognitivamente. O que se observa é uma mudança de prioridades na rotina, com menos espaço para atividades que exigem foco prolongado ou planejamento.

Como oferecer estímulos além das telas

Reduzir o tempo de tela não significa apenas tirar dispositivos. Profissionais indicam ampliar oportunidades de experiências fora das telas. A música surge como uma alternativa eficaz, pois ativa áreas de atenção, memória e emoção. Cantar, dançar ou aprender um instrumento pode favorecer convivência, foco e coordenação motora.

O objetivo é evitar que a tecnologia substitua vivências importantes da infância. A terapeuta ressalta que muitas famílias recorrem às telas como ferramenta de sobrevivência na rotina, mas é essencial buscar equilíbrio para que o digital não ocupe todo o espaço das interações reais.

6 formas de reduzir o tempo de tela sem descompassar a rotina

  • Monte cabanas com lençóis ou proponha brincadeiras de faz de conta.
  • Disponibilize papel, lápis, tinta, massinha ou blocos de montar.
  • Reserve momentos ao ar livre, com corridas, bicicleta ou brinquedos no parque.
  • Estabeleça períodos sem telas, especialmente durante as refeições.
  • Faça playlists com as crianças e cante junto, transformando tarefas em brincadeiras.
  • Incentive atividades compartilhadas, como leitura, jogos de tabuleiro e conversas sem distrações digitais.

O desafio é encontrar equilíbrio

Especialistas reforçam que a discussão não deve culpar a tecnologia nem demonizá-la. As telas fazem parte da vida moderna e continuarão presentes. O desafio é manter um equilíbrio para que o digital não substitua as experiências importantes para o desenvolvimento.

No fim, o foco pode ser medir quanto tempo sobra para brincar, imaginar, criar vínculos e explorar o mundo fora da tela.

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