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Por que meninos e homens devem falar sobre menstruação

Estudo mostra que apenas 24% dos garotos acreditam que a menstruação atrapalha a vida escolar das meninas, destacando a necessidade de diálogo entre jovens

Meninas escolhem absorventes em loja em Austin, no Texas (EUA)
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  • Pesquisa aponta que 36,8% dos meninos não pensam muito sobre a menstruação e 23,7% acreditam que o periodo pode atrapalhar a escola ou esportes; entre as meninas, 19,7% não pensam muito e 41,2% veem impacto.
  • Em Brasília, no Dia da Dignidade Menstrual, especialistas, ativistas e jovens participaram de seminário para debater diálogo entre meninos e meninas sobre o tema.
  • Faixa etária dos garotos entrevistados (13 a 15 anos) mostrou que, na escola, meninos e meninas são separados nas aulas sobre saúde sexual.
  • Relatos de desconforto, preconceito e dificuldade de acesso a absorventes em escolas foram destacados, além de situações de constrangimento durante o uso de absorvente.
  • As especialistas apontam a necessidade de diálogo de gênero, educação ampla sobre saúde menstrual e ações públicas; a Política Nacional de Dignidade Menstrual foi criada em 2023, e há propostas de licença menstrual de até dois dias por mês aprovadas na Câmara em 2025, ainda em análise no Senado.

No dia 28 de maio, Dia da Dignidade Menstrual, especialistas, ativistas e jovens se reuniram em Brasília para debater saúde menstrual em seminário promovido pelo Instituto Alana. O objetivo foi discutir como homens e mulheres podem dialogar sobre o tema.

A pesquisa publicada esta semana pelo Alana em parceria com o Equidade.info revela que 36,8% dos meninos dizem não pensar muito no assunto, enquanto entre as meninas o índice é de 19,7%.

Dados apontam ainda que 23,7% dos garotos acreditam que a menstruação atrapalha a escola ou atividades, frente a 41,2% entre as meninas.

Do que houve no seminário

Durante as discussões, meninas de 13 a 15 anos relataram que, em suas escolas, os gêneros são separados em aulas sobre saúde sexual. Os garotos aprendem sobre preservativos e as meninas falam sobre absorventes, sem integração entre os dois temas.

Uma jovem de 16 anos em Maceió disse que a escola aborda de forma técnica o sistema reprodutivo, sem abrir espaço para falar sobre dor ou cobranças sociais. Ela descreveu um ambiente de preconceito entre as gerações.

Condições e impactos na vida escolar

Relatos apontam que meninas costumam precisar esconder o uso de absorventes em sala de aula por constrangimento. A pesquisadora Ursula Maschette, especialista em saúde menstrual, afirma que a escola muitas vezes reproduz a ideia de imaturidade dos meninos para o tema.

Especialistas chamam a atenção para as consequências do silêncio: impacto na vida escolar, nas relações afetivas, no mercado de trabalho e na saúde feminina. Pobreza menstrual e atraso de diagnósticos aparecem entre os problemas.

Dados e perspectivas

O estudo mostra que 41,2% das meninas acreditam que a menstruação atrapalha atividades esportivas e escolares. Em contrapartida, 23,7% dos garotos veem o tema como relevante. Médicos destacam que o tema é de saúde pública e requer diálogo entre gêneros.

O médico Omero Poli Netto ressalta que entender as demandas das mulheres é essencial para políticas públicas eficazes. A ciência sugere a necessidade de escuta clínica para dor crônica associada à menstruação.

Contexto institucional e caminhos

A Política Nacional de Dignidade Menstrual foi instituída em 2023, mas há dificuldades no acesso a absorventes gratuitos em escolas e na disponibilidade de infraestrutura adequada. Parlamentares já discutem licença menstrual, aprovada na Câmara em 2025 e aguardando o Senado.

Recomendações das adolescentes

Entre as propostas, as jovens defendem que o tema seja tratado com antecedência, envolvendo meninos, pais e a escola. Também pedem campanhas governamentais inclusivas para ampliar o diálogo sobre menstruação entre todos os públicos.

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