- A febre pelo álbum da Copa do Mundo 2026 segue alta, com trocas entre crianças e envolvimento de escolas e famílias.
- Casos reais mostram gastos elevados: uma família já investiu mais de R$ 8,5 mil para completar o álbum, enquanto outra gasta conta de R$ 763 até o momento.
- Aplicativos ajudam a monitorar o progresso, com exemplos de crianças obtendo 73% do total e faltando 269 figurinhas.
- Escolas criaram regras para as trocas durante o intervalo e evitar tumultos, permitindo levar figurinhas repetidas para troca no dia do brinquedo.
- Especialistas destacam a educação financeira e o manejo da frustração como aprendizados importantes, alertando para não acelerar o processo.
A febre pelas figurinhas da Copa do Mundo 2026 mobiliza crianças e famílias. O interesse pela coleção cresce nas ruas, escolas e lojas, com troca de pacotes e busca por complementos. O álbum dourado chegou recentemente, intensificando o movimento entre meninos e meninas.
Mariana Ribeiro, dona de loja em Santo André, acompanha o ritmo acelerado das trocas do filho Pedro, 10. Em fins de semana, eles passam horas em pontos de troca e chegam a completar parte da coleção sem repetidas. O app figuritas aponta progresso de 73% com 269 figurinhas faltando.
Luana Bozzatto, mãe de dois, usa o início do projeto para ensinar educação financeira. O filho Theo vende abacates colhidos para financiar parte das figurinhas, montando barraca no condomínio e oferecendo delivery aos vizinhos. A prática reforça autonomia e responsabilidade.
Educação financeira e responsabilidade
Para Malu Lira, especialista em educação financeira infantil, há espaço para debater consumo, ansiedade e comparação entre pares. A procura por trocas também impulsiona o varejo e aumenta o fluxo de clientes em shoppings de São Paulo, segundo relatos de lojistas.
A mudança de rotina chega às escolas, que criam regras para evitar tumultos. No Colégio Arbos, em Santo André, apenas trocas durante o intervalo, sob supervisão da equipe, para manter a convivência. Alunos são orientados a levar apenas figurinhas repetidas.
A psicóloga Lígia Vezzaro Caravieri, do Instituto Ficar de Bem, afirma que a prática desenvolve habilidades como negociação e paciência. Contudo, alerta que acelerar o processo pode impedir que a criança lide com frustração e aprenda com o percurso.
Impacto familiar e social
A experiência envolve também o gasto financeiro. Famílias relatam valores expressivos para completar o álbum, incluindo figurinhas raras. Em alguns casos, o investimento supera o orçamento mensal e exige planejamento.
Especialistas destacam a importância de acompanhar a criança na busca pelo equilíbrio entre expectativa e realidade. O álbum pode ser enriquecedor, desde que haja espaço para tentativa, espera e convivência entre familiares.
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