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Brincar livre é compromisso coletivo pela infância

Dia Mundial do Brincar reforça o direito da infância e o compromisso da sociedade em ampliar espaços livres de telas, estimulando o desenvolvimento

Alunos brincam de pular corda durante intervalo no Ginásio Experimental Olímpico Reverendo Martin Luther King, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.
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  • O Dia Mundial do Brincar ocorreu até domingo, 31 de agosto, com atividades em escolas, comunidades e organizações pelo país; o objetivo é fortalecer o direito ao brincar.
  • A Aliança pela Infância destaca que brincar é a principal forma de a criança existir, expressar-se e compreender o mundo, especialmente em meio a muitas telas.
  • A pesquisadora Sarah Menezes Rocha diz que o brincar é a linguagem da infância e que não há idade para parar de brincar; ele acompanha a vida adulta.
  • A Base Nacional Comum Curricular aponta o brincar como parte do currículo da educação infantil, mas há preocupação com a excessiva pressão por desempenho no ensino fundamental.
  • Para incentivar o brincar, é necessário tempo menos acelerado, espaços públicos seguros, brincadeiras coletivas e ouvir as próprias crianças sobre como criar ambientes livres para brincar.

O Dia Mundial do Brincar, celebrado na última quarta-feira, reforçou que brincar é direito humano assegurado pelo ECA e pela ONU. A data mobilizou atividades por todo o país, buscando ampliar a compreensão sobre o papel das brincadeiras no desenvolvimento humano.

A Agência Brasil ouviu Sarah Menezes Rocha, pesquisadora, professora universitária e conselheira da Aliança pela Infância. Ela destaca que o brincar libera expressão, vínculos e compreensão do mundo, além de ser parte da produção cultural das crianças brasileiras.

A Aliança pela Infância divulgou, em manifesto nas redes, que o brincar permite que a criança exista, se expresse, e compreender a sociedade. O texto ressalta a necessidade de tempo para brincar diante do avanço das telas.

Importância e alcance do movimento

Segundo a pesquisadora, o brincar é a linguagem da infância e envolve relação com o mundo, o outro e consigo mesma. Ela afirma que a prática varia regionalmente e que crianças produzem cultura dentro da cultura brasileira.

Ela acrescenta que não há idade limite para brincar, pois o elemento permanece ao longo da vida. O brincar, argumenta, é espaço de construção do ser humano, ensinando negociação, paciência e resolução de conflitos.

Brincar na escola e na família

No âmbito educacional, Rocha cita a Base Nacional Comum Curricular ao reconhecer o brincar como parte do currículo da educação infantil. Ainda assim, observa que, no ensino fundamental, a brincadeira muitas vezes fica em segundo plano.

A especialista aponta pressão por desempenho e uma tendência de antecipar conteúdos, o que reduz o tempo livre para a brincadeira. Ela defende um compromisso comunitário com o brincar, envolvendo escola, família e políticas públicas.

Caminhos para incentivar o brincar

Para ampliar o tempo de brincadeira, Rocha sugere reduzir a velocidade da rotina familiar e escolar, valorizar atividades ao ar livre e assegurar espaços públicos seguros. Ela recomenda práticas coletivas em casa, no condomínio e na comunidade.

Ela enfatiza a importância de ouvir as crianças, que sabem indicar como abrir espaço para o brincar livre. O desenvolvimento humano saudável, diz, ocorre quando a criança é verdadeiramente acolhida para ser criança.

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