- Hilário Ferreira Sobrinho (1965–2026) dedicou mais de quarenta anos à pesquisa sobre escravidão, resistência negra e combate ao racismo no Ceará.
- Foi um dos fundadores do Grupo de União e Consciência Negra (Grucon), criado em 1982, que promoveu a presença da capoeira nas escolas e consolidou estudos negros na universidade.
- Sua dissertação de mestrado, defendida em 2005, tratou do tráfico interprovincial de escravizados no Ceará e ajudou a revisitar a greve dos jangadeiros de 1881.
- O documentário “A Rebelião dos Jangadeiros” nasceu de suas pesquisas, com depoimentos que ajudam a recontar esse capítulo muitas vezes omitido.
- Hilário faleceu em 8 de maio, aos 61 anos, após um infarto, deixando legado na militância antirracista e na memória negra do Ceará.
Hilário Ferreira Sobrinho, pesquisador e ativista negro, morreu no dia 8 de maio aos 61 anos, em Fortaleza, Ceará, vítima de infarto. O falecimento ocorreu no dia em que completava a idade. Ele deixa uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas ao estudo da escravização, da resistência negra e do combate ao racismo.
Ao longo de sua vida, Hilário participou da fundação do Grupo de União e Consciência Negra (Grucon), criado em 1982. A organização ajudou a introduzir a capoeira nas escolas públicas e a consolidar estudos negros nas universidades, unindo militância e pesquisa acadêmica.
Durante décadas, o sociólogo atuou em redes de intercâmbio entre o movimento negro do Maranhão e o Ceará, defendendo um marxismo que incorporasse a dimensão racial sem distorções. Em 2005, defendeu uma dissertação sobre o tráfico interprovincial de escravizados no Ceará, que se tornou referência para entender o apagamento de figuras históricas locais.
Contribuições históricas e produção cultural
O trabalho de Hilário motivou a produção cultural e documental sobre o tema. O documentário A Rebelião dos Jangadeiros nasceu a partir de sua pesquisa e de conversas com a equipe, que viu nele uma fonte de atualização do debate sobre o período. O filme inclui depoimentos que ajudam a recontar um capítulo pouco abordado nos currículos.
Além da academia, Hilário atuava como articulador comunitário. Participava de rodas de conversa, coordenava o coletivo Fortaleza Negra e promovia debates com jovens da periferia, buscando traduzir a pesquisa para o cotidiano da cidade. Seu envolvimento incluía atividades em centros culturais, terreiros e ruas da capital.
Vida pública e legado
Desde jovem, o pesquisador uniu espiritualidade de matriz africana ao ativismo. Começou no candomblé em Salvador, integrava o Maracatu Rei de Paus e comentava ações de afoxés durante o Carnaval de Fortaleza. Sua presença era marcada pela disposição de organizar eventos, independentemente do horário.
Colegas destacam o papel de Hilário como facilitador de oportunidades de aprendizado. Raí Kehinde, cientista social do coletivo Negruras CE, afirma que ele abriu caminhos para a luta antirracista no Ceará e que sua memória permanecerá como referência. A diretora Cinthia Medeiros ressalta que o legado atua contra o apagamento histórico.
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