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Obra mapeia sistema astronômico indígena e celebra legado de professor

Livro da USP mapeia constelações sazonais guarani e registra o legado do professor Germano Afonso, fortalecendo Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o ensino de culturas indígenas

A constelação do Cervo do Pantanal surge no leste na segunda quinzena de março e indica a chegada do equinócio de outono. Para os guarani, esse evento marca o início do Tempo velho, período que se estende do começo do outono ao começo da primavera - (crédito: E-book O céu dos povos originários: o legado de Germano Afonso)
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  • USP, por meio do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosmais, publicou o livro digital gratuito O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso, em português.
  • O trabalho reúne mapas do povo guarani que abrangem agrupamentos estelares, nuvens de poeira, manchas claras e regiões escuras da Via Láctea, sobrepostos aos traçados da astronomia ocidental.
  • O livro apresenta cinco grandes traçados estelares sazonais, funcionando como marcadores do calendário anual.
  • A estudante Gabriela Silva Salustiano, com apoio de Laerte Sodré Jr. e Vera Jatenco Silva Pereira, criou as ilustrações usando Aladin Sky Atlas e Stellarium, com base nos estudos do professor Germano Afonso.
  • A publicação dialoga com a Base Nacional Comum Curricular e a Lei 11.645/2008, ao valorizar saberes indígenas e formar material pedagógico alinhado à educação básica brasileira.
  • Germano Bruno Afonso, guarani, foi professor de Física na Universidade Federal do Paraná e faleceu em 2021, aos 71 anos, vítima de covid-19.

O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo publicou, de forma digital e gratuita, o livro O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso. A obra reúne mapas etnoastronômicos do povo guarani, integrando agrupamentos estelares às nuvens de poeira e às regiões escuras da Via Láctea, com cinco constelações sazonais que funcionam como marcos do calendário indígena.

A publicação registra o trabalho de Germano Bruno Afonso, professor guarani e pioneiro nos estudos de interpretações celestes indígenas. Afonso morreu em 2021, aos 71 anos, vítima da covid-19, tendo lecionado Física na Universidade Federal do Paraná. O livro foi produzido pela graduanda em astronomia Gabriela Silva Salustiano, com os docentes Laerte Sodré Jr. e Vera Jatenco Silva Pereira.

O conjunto gráfico apresentado no livro oferece sobreposições entre traçados indígenas e as regiões reconhecidas pela astronomia ocidental, servindo como ferramenta pedagógica. A iniciativa atende a demanda por ilustrações em alta resolução solicitada por educadores e editoras, fortalecendo o ensino da etnoastronomia no Brasil.

Sobre o livro e a finalidade pedagógica

Segundo Gabriela Silva Salustiano, as constelações guarani estavam ligadas aos ciclos da natureza, essenciais à sobrevivência no passado. A estudante utilizou o software Aladin Sky Atlas e referências de Stellarium para desenhar manualmente os traçados indígenas sobre as estrelas correspondentes.

Os autores ressaltam o papel didático da obra, alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Lei 11.645/2008, que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica. O livro também contribui para ampliar o repertório visual disponível sobre a cultura guarani e seus saberes.

Acesso e disponibilidade

A publicação está disponível gratuitamente em formato PDF no site do IAG da USP. A iniciativa reforça o compromisso institucional com a divulgação científica acessível e com a valorização de saberes tradicionais no ensino brasileiro.

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