- A USP investe cerca de R$ 460 milhões em políticas de permanência estudantil, via PAPFE e PUB, para garantir acesso, permanência e integração dos estudantes.
- O PAPFE passou a diferenciar auxílio financeiro de bolsa e mantém o auxílio enquanto o aluno cumprir frequência e desempenho mínimo, com prazo máximo até a conclusão do curso (mais 50% de atraso).
- Cinco ações em andamento: oito grupos de trabalho sobre moradia, alimentação, transporte, inclusão de estudantes trans, indígenas e pessoas com deficiência; ampliação do PUB para ingressantes; diálogo com estudantes durante paralisação e criação de estrutura permanente de participação.
- Sobre moradia no Crusp, há intervenções nas unidades, com Crusp+10 para discutir moradia futura; alerta sobre vídeo de prédio interditado que não condiz com a realidade divulgada.
- Pretende-se criar um fórum permanente de diálogo com estudantes, inspirado na Copert, para receber, analisar e encaminhar demandas de forma contínua, fortalecendo a interlocução entre gestão e comunidade universitária.
Ao UV, o reitor da USP, Aluísio Segurado, detalha as políticas de permanência estudantil e as ações ligadas ao PAPFE e ao PUB. Ele afirma que a permanência vai além de auxílio financeiro, incluindo moradia, alimentação e integração acadêmica. A entrevista aborda investidas, desdobramentos da paralisação e canais de participação estudantil.
Segurado aponta que o PAPFE é o maior programa de permanência estudantil do Brasil. Segundo ele, os investimentos totais chegam a 460 milhões de reais, aprovados pelo Conselho Universitário. Em 2016, o valor era de 125 milhões, com a mudança de perfil dos estudantes.
Ele esclarece que, desde a criação da PRIP, há distinção entre auxílio e bolsa. O benefício de vulnerabilidade social é mantido ao longo da graduação, até o prazo máximo de conclusão, não havendo reavaliação periódica. A frequência e o desempenho mínimo são requisitos para continuidade.
Permanência estudantil e financiamento
O reitor explica que o valor do PAPFE enfrentou negociações com a comunidade estudantil. Três reuniões somaram cerca de 20 horas, com propostas apresentadas, inclusive, de reajuste para o auxílio. A atual proposta final, segundo ele, fica dentro do orçamento da universidade.
O PUB foi ampliado para ingressantes, permitindo que novos alunos participem de projetos desde o início. Além do auxílio, os estudantes passam a ter uma “âncora de integração” por meio de monitorias, iniciação científica, extensão e outras atividades.
Diálogo com estudantes e participação
Segurado descreve a mediação institucional adotada pela USP, com comissões de moderação e diálogo, para tratar 147 reivindicações apresentadas ao longo das negociações. Ele ressalta que nem todos os estudantes apoiam o movimento, destacando participação variável em assembleias.
O reitor enfatiza a necessidade de reforçar canais formais de participação. Dados sobre eleições para colegiados indicam baixa participação discente, o que, na avaliação dele, demanda repensar a forma de diálogo entre gestão e comunidade estudantil.
Moradia estudantil: Crusp e intervenções
Sobre o Crusp, Segurado cita reformas em blocos, controle de acesso e recursos de acessibilidade. Ele reconhece a complexidade de reformas de grande porte com estudantes residentes no local, e cita o grupo Crusp+10 para planejar a moradia na próxima década.
Ele também comentou a divulgação de um vídeo envolvendo suposta condição precária de um prédio, afirmando que a situação mostrada não corresponde à realidade vigente. A reitoria mantém o benefício da moradia, mas ressalta necessidades de intervenções constantes.
Próximos passos e institucionalização do diálogo
O reitor aponta a criação de uma estrutura permanente de diálogo com a comunidade estudantil, inspirada na Copert (Relações de Trabalho). A proposta é instituir uma comissão permanente para acolher demandas, independentemente de movimentos, com encaminhamento aos canais competentes.
Segurado afirma que a permanência estudantil é prioridade e que a universidade busca ações conjuntas de inclusão, acesso e participação em projetos acadêmicos, científicos, culturais e de extensão. O objetivo é ampliar a transparência e a eficácia no atendimento às demandas.
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