- Walmerinston Corrêa, 64 anos, deixou a escola há 46 anos e viveu 20 anos em situação de rua, e agora passou no vestibular da UFPA para o curso de Letras.
- Ele recolhia livros descartados nas calçadas, estudava sozinho à luz da rua e, depois, entrou na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
- Enfrentou preconceito e dúvidas sobre acompanhar o ritmo dos colegas mais jovens, mas não desistiu e saiu do anonimato.
- Hoje é aluno matriculado na UFPA e sonha em se formar, escrever e ensinar, mostrando que a educação pode transformar vidas.
- A história destaca a diferença entre uma sociedade que valoriza tecnologia e rapidez e outra que também encontra respostas na leitura e no esforço pessoal.
Walmerinston Corrêa, 64 anos, acaba de ingressar no curso de Letras da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, após vencer uma trajetória marcada pela vulnerabilidade social. O feito aconteceu recentemente, após ele passar no vestibular da instituição.
Durante décadas ausente da escola, Walmerinston sobreviveu em situação de rua por cerca de 20 anos. Ele recolhia livros descartados na rua, estudando ao ritmo da iluminação pública e carregando apenas a coragem como sua única força de trabalho.
A região onde viveu o relativo esquecimento institucional foi superada pela persistência dele. Ele começou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, apesar de enfrentar preconceitos, manteve o foco para não abandonar o sonho de estudar.
Desafios e curiosa virada
Entre os entraves estavam a vergonha de estar entre quem já tinha domínio da internet e a preocupação com o ritmo da turma. Ainda assim, Walmerinston não desistiu, acreditando que a educação pode transformar vidas independentemente da idade.
Hoje, motivado pela matrícula na UFPA, ele pretende concluir a graduação, escrever e ensinar. A história dele é vista como exemplo de que o conhecimento pode surgir de situações adversas, sem depender de atalhos tecnológicos.
A trajetória ressalta uma tensão social: a circulação de informações pela tecnologia não substitui a dedicação e o estudo contínuo. Walmerinston demonstra que a educação pode reescrever destinos, mesmo em condições difíceis.
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