- Anthony Salcito, vice-presidente sênior e gerente geral da Coursera, afirma que a requalificação constante é essencial na era da IA e da transformação tecnológica.
- No Brasil, as matrículas em cursos de IA generativa na Coursera cresceram 617% em um ano, e a plataforma soma cerca de sete milhões de usuários no país.
- Relatório da Coursera indica crescimento superior a 200% das matrículas em cursos para profissionais corporativos, com destaque para habilidades humanas como liderança e pensamento crítico.
- Governo, empresas e universidades têm papel-chave na qualificação da força de trabalho; diplomas continuam relevantes, mas microcredenciais ganham importância no aprendizado ao longo da vida.
- A Coursera planeja a aquisição da Udemy, reforçando o uso de IA para melhorar a jornada de aprendizagem e enfatizando a agência humana como diferencial no futuro do trabalho.
A liderança da Coursera afirma que a requalificação contínua é a nova norma. Em entrevista, Anthony Salcito, vice-presidente sênior e general manager de Enterprise, ressalta que a verdadeira vantagem competitiva na era da IA está na força de trabalho qualificada. Dados do Fórum Econômico Mundial apontam mudanças rápidas nas habilidades até 2030.
Salcito destaca que aprender é um processo permanente e que a IA acelera essa necessidade. Ele observa que o Brasil registra alta demanda por IA generativa na plataforma, com crescimentos expressivos e cerca de 7 milhões de usuários locais. A visão é de que a base de habilidades entre estudantes e profissionais é crucial para o crescimento digital do país.
A seguir, a visão de Salcito sobre o papel das instituições, governo e empresas na qualificação, além de reflexões sobre diploma, microcredenciais e o futuro do trabalho impulsionado pela IA.
O que está em jogo e quem está envolvido
Cerca de 40% das habilidades centrais devem mudar ou perder relevância até 2030, segundo o Fórum Econômico Mundial. A Coursera, sob a liderança de Salcito, atua conectando empresas, universidades e governos para desenvolver competências demandadas pelo mercado. Afirmou que a requalificação precisa ocorrer ao longo de toda a carreira.
No Brasil, as matrículas em cursos de IA generativa cresceram 617% em um ano, segundo o executivo. Dados da plataforma mostram que há aproximadamente 7 milhões de usuários brasileiros. O foco está na formação de profissionais para sustentar a transformação digital.
Educação, tecnologia e liderança são pilares
Salcito afirma que, além de habilidades técnicas, há forte demanda por competências humanas como liderança e pensamento crítico. Ele lembra que a tecnologia não substitui a importância da conexão humana em sala de aula e no ambiente de trabalho. Empresas e governos devem investir em pessoas para potencializar a IA.
O executivo também comenta mudanças na educação superior, defendendo uma combinação entre diplomas e microcredenciais. Segundo ele, a universidade oferece base e colaboração, enquanto microcredenciais ajudam a demonstrar prontidão para o trabalho e a ampliar portfólios de aprendizagem.
Brasil e América Latina: trilho triplo para competitividade
Para manter competitividade diante da IA, Salcito aponta um tripé formado por governo, empresas e sistema universitário. Universidades devem ampliar habilidades entre estudantes, governos precisam construir políticas digitais em IA e promover a requalificação, e o setor privado deve investir na capacitação constante.
A visão é de que a requalificação nunca para, e que a IA gerativa amplia oportunidades apenas se houver preparação adequada. Ele cita que a geração de novas funções pode superar a substituição de empregos, desde que haja rapidez na adaptação de competências.
A aquisição da Udemy e o futuro da aprendizagem
O executivo comenta o acordo anunciado pela Coursera para adquirir a Udemy, visando ampliar valor e flexibilidade para clientes. A parceria deve potencializar o uso de IA, desde a descoberta de cursos até a presença de um tutor de IA que orienta a jornada de aprendizagem.
No restante da entrevista, Salcito aborda o papel da IA na democratização da aprendizagem, citando ferramentas da Coursera e avanços como o NotebookLM e o Gemini. Ele também compartilha perspectivas sobre o futuro do trabalho, com maior ênfase na agência humana, ciência de dados avançada e segurança cibernética.
Microcredenciais e o diploma no equilíbrio do futuro
Salcito defende que o diploma continua importante, mas não deve ser visto como único caminho. Microcredenciais ganham relevância ao permitir atualização rápida de competências, enquanto o diploma oferece base de conhecimento e colaboração. A combinação de ambos é apresentada como estratégia para o futuro profissional.
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