- Quatro pessoas contam a mudança que as ajudou a conseguir o primeiro emprego: em vez de enviar centenas de candidaturas, elas adotaram abordagens específicas.
- 1) Personalizar o currículo para cada vaga, destacando habilidades adquiridas em experiências anteriores. A médica Theresa Blair passou a adaptar o CV às descrições das empresas, o que resultou em uma vaga de atendimento ao cliente em banco e, hoje, é gerente de projeto com deslocamento semanal.
- 2) Procurar pessoas que já atuam na função desejada, conectando-se com elas. Callum Stevens usou o LinkedIn para falar com alguém que fazia planejamento de transportes, conseguiu estágio na prefeitura e, mesmo sem experiência anterior, mostrou interesse e aprendizado.
- 3) Assumir funções fora do trabalho para ganhar visibilidade. Joshua Hopkins participou de um conselho de associação de moradia entre empregos, mostrando que jovens podem trazer novas perspectivas e valor.
- 4) Candidatar-se presencialmente em vez de apenas online. Clover Nelson foi a lojas pessoalmente, converseu com gerentes e conseguiu o emprego no varejo após anos sem trabalho.
Foi apresentada uma estratégia para quem busca a primeira oportunidade de emprego em meio ao aumento de aplicações online e à pressão de IA. Quatro jovens relatam mudanças que ajudaram a se destacar frente a centenas de candidaturas. O relato ocorre no Reino Unido, com exemplos em Birmingham, Bristol, Glasgow e Leeds.
Os casos mostram caminhos diferentes para chamar a atenção de recrutadores: personalização de currículos, contato direto com profissionais da área, atuação em funções fora do escopo tradicional e abordagem presencial. De cada experiência, surgem lições que podem orientar quem está começando no mercado.
Caso 1: currículo sob medida
Theresa Blair, 24, de Birmingham, formou-se em farmácia e decidiu seguir gestão de projetos após estágio na área. Durante oito meses, enviou centenas de candidaturas sem retorno. Ela percebeu que o CV eram genéricos e passou a adaptá-lo a cada vaga, destacando habilidades obtidas em funções anteriores e alinhando-se aos valores da empresa.
Ao reduzir a quantidade de candidaturas, Theresa passou a dedicar mais tempo a cada uma. O resultado foi a contratação para atendimento ao cliente em banco, em tempo integral, com deslocamento diário a Londres. Hoje atua como gerente de projeto e recomenda manter o foco na qualidade em vez da quantidade.
Caso 2: contato direto com quem faz
Callum Stevens, 24, de Somerset, estudou ciência da computação na UWE e desenvolveu interesse em transporte. Por meio do LinkedIn, entrou em contato com alguém que atuava em um estágio de planejamento de transporte na Bristol City Council. Quando a vaga voltou a surgir, candidatou-se e foi contratado. O estágio é integral, com salário mínimo, e deve terminar em agosto, com possível extensão futura.
Callum afirma ter sido visto como interessado e com vontade de aprender, mesmo sem experiência prévia em planejamento de transporte. A experiência tem sido considerada valiosa, equivalente ao impacto de um diploma universitário, e ele busca agora uma posição efetiva em tempo integral.
Caso 3: atividades fora do estágio habitual
Joshua Hopkins, 26, de Glasgow, iniciou licenciatura em negócios e marketing na Bélgica, depois passou a fazer um estágio e atualmente trabalha em uma empresa de advocacia. Enquanto cursa uma certificação de contabilidade gerencial, ele também atuou como integrante de um conselho de associação habitacional.
Essa participação é apontada como diferencial para demonstrar que jovens podem agregar valor com novas perspectivas, sem exigir extensa experiência. Joshua recomenda buscar oportunidades que destaquem habilidades, além de manter contato com mentores e participações em projetos ou cursos curtos para ampliar o networking.
Caso 4: atuação presencial
Clover Nelson, 20, de Leeds, ficou desempregado por três anos e, após buscar vagas apenas online, decidiu abordar os empregadores pessoalmente. Ele visitou lojas e conversou com gerentes, o que resultou na contratação para área de varejo. Clover destaca que a presença física evita a barreira de plataformas digitais e reforça o elemento humano no processo de seleção.
Dicas de especialistas
Katherine Leopold, professora especializada em empregabilidade, aponta que autenticidade, impacto demonstrado e qualidade sobre quantidade são determinantes. O uso de IA deve apoiar a construção de respostas, não substituí-las. Relatar efeitos concretos de ações anteriores facilita a avaliação do valor pelo empregador. Além disso, o envolvimento com empregadores antes de candidatar-se aumenta a visibilidade.
Additional reporting de Kris Bramwell, Andree Massiah e Rozina Sini.
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