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Inteligência artificial na escola: proibir ou ensinar como usar?

Especialistas defendem ensinar a usar IA na escola, não proibir; lei de 2025 regula celulares e reforça a necessidade de educação digital frente a deepfakes

O pediatra Michel Rich, da Harvard Medical School, durante palestra no Arco Day 2026, em São Paulo: para ele a inteligência artificial é um prolongamento do pensamento, não um substituto - (crédito: Aline Ramos)
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  • Durante o Arco Day 2026 em São Paulo, especialistas defenderam ensinar a usar IA em vez de proibi-la, para formar senso crítico.
  • O encontro reuniu cerca de dois mil gestores escolares; o pediatra Michael Rich, da Harvard Medical School, e a diretora de Produtos Digitais da Arco Educação, Larissa Sangalli, participaram.
  • Destaques do debate incluem a ideia de que a IA pode deslocar a função do professor e a importância de atividades que desafiem textos produzidos pela máquina para preparar o mercado de trabalho.
  • No Brasil, a Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025, restringe o uso de celular na educação básica, com regras para uso pedagógico orientado; após seis meses, acesso à internet nas escolas caiu de 51% para 37%.
  • Os especialistas enfatizam o risco dos deepfakes e a necessidade de autorregulação; Rich afirma que a IA é um prolongamento do pensamento, não um substituto.

O debate sobre o papel da inteligência artificial na escola ganhou força durante o Arco Day 2026, em São Paulo. Professores, gestores e especialistas discutiram se a proibição de telas e IA é eficaz ou se é preciso ensinar aos alunos a usar essas tecnologias de forma crítica. O evento reuniu cerca de 2 mil gestores no Teatro do Distrito Anhembi, nos dias 1º e 2 de junho.

Segundo o pediatra Michael Rich, da Harvard Medical School, banir IA não resolve o desafio educacional. Em vez disso, ele defende a formação do senso crítico dos estudantes e a participação ativa deles na construção de regras, para que a aprendizagem não seja comprometida. A ideia é transformar a tecnologia em aliada do aprendizado.

A diretora de Produtos Digitais da Arco Educação, Larissa Sangalli, destacou que a discussão migrou de evitar a cola para promover a avaliação do que a máquina produz. Casos práticos mostraram que professores podem orientar alunos a identificar falhas em textos gerados por IA, fortalecendo habilidades de duvida e verificação.

Proibição ou ensino: qual caminho escolher

Rich também alertou que bloqueios impostos de fora para dentro costumam falhar. No contexto brasileiro, a Lei nº 15.100, de 2025, restringe o uso de celulares na educação básica durante aula e recreio, mantendo prevista a utilização pedagógica orientada pelo professor. Dados da TIC Kids Online Brasil apontaram queda de 51% para 37% no acesso à internet nas escolas em seis meses.

Jones Brandão, gerente de Ensino e Inovações da Arco, afirmou que muitos docentes entenderam a lei como uma proibição total, quando na prática a norma regula o uso da tecnologia com fins pedagógicos. A avaliação é de que ferramentas digitais podem acompanhar o ensino, desde que haja regras claras.

Para o painel, a IA é um prolongamento do pensamento, não um substituto do professor. O alerta sobre o uso sem regulação envolve ainda o risco de deepfakes, com vídeos e imagens gerados por IA cada vez mais realistas. Pais e governos precisam acompanhar esse cenário de perto para evitar desinformação nas escolas.

Este artigo integra a cobertura sobre o ArcoDay 2026, o maior encontro de gestores educacionais da América Latina. Ao longo dos próximos dias, o Eu, Estudante traz análises sobre carreira, criatividade e saúde social no ambiente escolar.

JoãoPedro viajou a convite da Arco Educação; estágio supervisionado por Ana Sá.

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