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Por que terceirizar o pensamento para IA pode travar sua carreira

Mais de quarenta por cento das ações diárias são automáticas; usar IA para pensar pode frear a evolução profissional

Charles Duhigg, autor de O Poder do Hábito: Oimportante é que nós escolhamos nossos hábitos, e não que nossos hábitos nos escolham - (crédito: Divulgação/Companhia das Letras)
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  • O jornalista Charles Duhigg afirma que mais de quarenta por cento do nosso dia é automático, o que pode prender a carreira se a IA assumir o pensamento.
  • O autor sustenta o ciclo hábito–deixa–recompensa e diz que manter a deixa e a recompensa, mudando apenas a rotina, facilita a evolução profissional.
  • A IA pode ajudar no brainstorming, mas não deve substituir o pensar humano; é preciso aprender a pensar com cuidado e não entregar toda a reflexão à máquina.
  • Em liderança e comunicação, Duhigg recomenda fazer perguntas antes de oferecer soluções e valorizar conversas emocionais, não apenas práticas, para melhorar o desempenho da equipe.
  • Em ambientes de ensino e trabalho, ele destaca a importância de pensar criticamente, desenvolver pensamento profundo e manter a sensibilidade humana para manter a relevância diante da IA.

O piloto automático guia parte das nossas ações diárias, segundo o jornalista Charles Duhigg. Em entrevista no Brasil, ele alerta que automatizar o pensamento com IA pode frear a evolução profissional.

Durante o Arco Day 2026, maior evento educacional para gestores da América Latina, Duhigg discutiu como a IA avança sobre tarefas técnicas. Ele ressaltou que o problema não é o piloto automático em si, e sim a perda de capacidade de pensar.

Para ele, manter hábitos voluntários é essencial. O desafio é não deixar que rotinas repetitivas substituam decisões conscientes. A mudança vale tanto para concurseiros quanto para profissionais que respondem automaticamente a mensagens.

O HÁBITO QUE TRAVA A CARREIRA

Em discurso diante de mais de dois mil gestores, Duhigg afirmou que hábitos costumam deixar de funcionar quando os valores não acompanham a rotina. O alerta é evitar confundir hábitos com valores que os originaram.

O autor relembrou a própria trajetória: o jornal impresso cedeu lugar à atualização no celular. A ideia central: valores permanecem, hábitos devem evoluir conforme o mundo muda, especialmente com a IA.

Quando perguntado sobre o hábito decisivo para o futuro, ele enfatizou pensar com cuidado, principalmente sob pressão. O destaque é manter a capacidade de pausa para refletir antes de agir.

COMO LIDERAR SEM DAR A RESPOSTA

Duhigg apresentou uma prática prática para líderes: fazer mais perguntas antes de oferecer soluções. Em casa, ele aplica a regra aos filhos, buscando perguntas úteis, não respostas rápidas.

No ambiente de trabalho, essa abordagem incentiva os funcionários a resolverem problemas sozinhos. O papel do gestor é orientar pelo questionamento, não pela resposta pronta. Assim, desenvolve-se autonomia.

A comunicação também é foco central. O autor descreve três tipos de conversa: prática, emocional e social. Situações conflitantes exigem alinhamento para evitar mal-entendidos.

A CONVERSA QUE FALTA NO ESCRITÓRIO

Durante a palestra, Duhigg provocou a plateia com uma pergunta sobre emoção. A professora Carla Eugênia Nunes Brito mostrou como conversar de forma mais humana pode aproximar equipes.

Cerca de 40% das pessoas relatam encontrar pontos em comum ao compartilhar vulnerabilidades. O insight é que a sensibilidade humana pode ser tão tecnológica quanto uma ferramenta de IA.

No fim, o diferencial no mercado em curto e médio prazo pode não estar no currículo técnico, e sim na habilidade de pausar o pensamento e manter empatia. Essa conexão humana é apontada como chave para o sucesso.

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