- Débora Garofalo ensinou robótica com sucata em uma escola da zona sul de São Paulo, cercada por favelas.
- Com materiais simples, ensinou programação e pensamento computacional a crianças de seis a quatorze anos, criando o projeto Robótica com Sucata.
- Em quatro anos, a evasão escolar caiu noventa e três por cento e o Ideb da escola subiu de quatro vírgula dois para cinco vírgula dois; também houve retirada de mais de uma tonelada de lixo.
- A iniciativa virou política pública em São Paulo, presente em cinco mil quatrocentas escolas e atingindo cerca de três milhões de estudantes; em 2019 ela ficou entre os dez melhores professores do mundo.
- O desafio atual é levar inteligência artificial às periferias, com foco na IA desplugada e na pedagogia do prompt, diante de conectividade insuficiente em parte das escolas.
A professora Débora Garofalo ganhou destaque internacional ao ser reconhecida como a mais influente do mundo no Global Teacher Influencer of the Year Prize, em Dubai, durante a cúpula do prêmio. O anúncio ocorreu sem que ela tivesse se inscrito formalmente no prêmio, surpresa que o jornal acompanhou em entrevista exclusiva ao Correio Braziliense no Arco Day 2026.
O episódio começou com uma ligação de madrugada para Débora, que viajou para Dubai com passagem bancada. No jantar de celebração, ela foi anunciada como a professora mais influente, diante de um auditório com mais de mil pessoas. O reconhecimento impulsionou a consolidação de um projeto de educação pública premiado internacionalmente.
A trajetória de Débora é marcada pela inclusão tecnológica em escolas públicas de São Paulo. Em 2013, numa escola da zona sul cercada por favelas, ela criou o Robótica com Sucata, usando lixo reciclável para ensinar programação, circuitos e pensamento computacional a crianças de 6 a 14 anos, sem depender de kits caros.
Em quatro anos, a evasão escolar caiu 93% e o Ideb da escola subiu de 4,2 para 5,2. Mais de uma tonelada de lixo foi retirada das ruas, e a autoestima dos alunos cresceu, com redução do trabalho infantil. A iniciativa ganhou escala pública no estado de São Paulo.
Entre 2019 e hoje, o projeto avançou para além da escola: passou a integrar a política pública educativa e já está presente em 5.400 escolas, atingindo cerca de 3,7 milhões de estudantes. O impacto incluiu avanços pedagógicos e mudanças na rotina escolar de várias regiões.
Inteligência artificial
Sete anos depois, Débora busca levar a IA às periferias. O Censo Escolar 2025 aponta que 94,5% das escolas têm internet, mas apenas ~70% têm conectividade adequada para uso pedagógico, segundo a Enec MEC. A educadora defende que a IA não seja apenas ferramenta, mas tema de criticidade.
Ela propõe IA desplugada para entender fundamentos sem depender de equipamentos, aliado à pedagogia do prompt, que ensina a formular perguntas críticas em vez de copiar respostas. A lógica da sucata volta como princípio: começar pelo que existe.
Para Débora, o prêmio internacional reforça uma convicção: mesmo em cenários de extrema escassez, é possível inovar e ter reconhecimento global pelo trabalho dedicado à educação pública. A ideia é ampliar o acesso a tecnologias sem falar apenas em recursos financeiros.
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