- Jair Ribeiro, presidente do Parceiros da Educação, defende que o MEC priorize o currículo com foco em leitura, escrita e nas bases de matemática, abrindo mão de conteúdos como seno e equações polinomiais.
- Dados do Saeb de 2023 mostram que apenas 34% dos estudantes do 3º ano do ensino médio na rede pública têm nível adequado em Português e 5% em Matemática.
- O especialista argumenta que a BNCC é ampla demais e pede maior profundidade nessas duas disciplinas para preparar jovens para a era da inteligência artificial.
- Propostas para o governo incluem: priorizar o currículo, expandir escolas de tempo integral e implementar um programa forte de recomposição de aprendizagem, com o MEC atuando como indutor e redirecionando recursos.
- A avaliação da eficácia dos programas seria feita por Saeb e avaliações estaduais; metas seriam definidas por estado nos primeiros 24 meses, com atenção à alfabetização e à base matemática.
O presidente do Parceiros da Educação, Jair Ribeiro, defende que o MEC priorize o currículo com foco em leitura, escrita e fundamentos de matemática para preparar jovens para a era da IA. Em participação no ciclo Brasil Adiante, promovido pelo Estadão, ele propõe mudanças no currículo básico.
Ribeiro afirma que o MEC deve reduzir a abrangência da BNCC e ampliar a profundidade, especialmente em Português e Matemática. Segundo ele, a IA pode nivelar conhecimentos, desde que os alunos dominem as habilidades essenciais.
Dados do Saeb 2023, citados por ele, mostram baixa proficiência: apenas 34% dos estudantes do 3º ano do ensino médio em Português alcançaram um nível adequado, e apenas 5% em Matemática. O autor critica a escassez de base sólida para a passagem ao mercado de trabalho.
Para o educador, a BNCC cobre muito, sem profundidade suficiente. A proposta é priorizar habilidades básicas e criar condições para que jovens interajam com IA, usando o conhecimento já adquirido de leitura, escrita e matemática.
Propostas concretas de atuação do MEC
O MEC deve atuar como indutor das políticas regionais, com foco em melhoria de base. A prioridade é resgatar cerca de 70% das crianças nos anos finais do ensino médio com desempenho abaixo do básico.
A seguir, Ribeiro sugere três medidas: priorização curricular, expansão de escolas de período integral e um programa robusto de recomposição de aprendizagem. Vírgulas entre os itens aparecem apenas para clareza, sem radicalização doutrinária.
O governo federal deveria priorizar a base curricular, ampliando a profundidade em língua portuguesa e matemática, e reduzir a abrangência atual da BNCC. A ideia é alinhar o currículo às melhores evidências sobre habilidades essenciais.
A segunda medida envolve ampliar as escolas de período integral, destacando que esse modelo, comprovadamente, amplia qualidade de ensino. Em sua visão, o investimento deve ser retomado para ampliar esse formato.
A terceira área é um programa de recomposição de aprendizagem, com foco em alunos abaixo do básico. Programas locais já utilizam métodos como ensino na zona de desenvolvimento proximal e ajuste de proficiência por turma.
Como implementar e medir resultados
Segundo Ribeiro, o MEC pode agir como indutor sem depender de novas leis, priorizando recursos já existentes. Vários programas de recomposição já acontecem em estados como São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo e Goiás.
Sobre custos, o entrevistado diz que não é necessário ampliar drasticamente o quadro de professores. É possível reorganizar salas por níveis de proficiência ou aumentar o apoio com tutoria, mantendo o orçamento sob controle.
A avaliação é fundamental. O Brasil dispõe de Saeb, avaliações estaduais e estudos independentes que permitem medir a eficácia de programas, inclusive de recomposição e de escolas integrais.
A meta para escolas integrais nos 24 meses iniciais depende do estado e do equipamento local. Ribeiro recomenda metas negociadas pelo MEC com cada estado, com apoio de recursos existentes antes da redução anunciada em 2025.
Sobre resistência a mudanças, ele aponta que o Brasil não carece de consensos, e sim de priorização de ações com base em evidências. Programas populares não devem ocupar espaço de iniciativas com maior impacto comprovado.
No debate sobre uso de IA, o pesquisador destaca estudo que mostra ganho de produtividade ao disponibilizar IA para profissionais de nível intermediário, desde que tenham leitura e matemática bem consolidadas.
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