- Professores de matemática da rede pública do Distrito Federal destacam a ligação entre a prática docente e o cotidiano dos alunos, em todas as etapas da educação básica.
- A professora Adriana Rocha, 53 anos, trabalha com uma abordagem humanizada, busca linguagem que conecte com os jovens e usa a gincana “Senhores do Enem” para reforçar conteúdos de forma lúdica. Ela atua no Paranoá e é diretora da Escola Classe Auto Interlagos.
- O professor Fábio Tosta, 54 anos, aposta em atividades hands-on para engajar estudantes, relacionando matemática ao cotidiano. Ele leciona no Centro de Ensino Fundamental 3 de Taguatinga Sul e já publicou livro com dicas para colegas de profissão; recebeu o título de Herói da Escola pelo projeto Na Moral.
- Desafios mencionados incluem a presença de inteligência artificial, violência fora da escola e demandas maiores do que o sistema consegue atender, exigindo planejamento didático e linguagem acessível.
- Tosta acumula mais de trinta e cinco anos de experiência em quinze escolas e cursos, com formação contínua em áreas relacionadas, enquanto Adriana mantém formação diversificada e investimentos em atualização para acompanhar mudanças no ensino.
Na rede pública do Distrito Federal, docentes de matemática exibem estratégias que conectam o ensino ao cotidiano dos estudantes e fortalecem o aprendizado ao longo da educação básica. A pesquisa Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática aponta que o comprometimento com a prática é reconhecido pelas equipes escolares e pela comunidade.
Entre relatos, destaca-se a atuação de Adriana Rocha, de 53 anos, que transforma a matemática em linguagem próxima aos alunos. A trajetória começou ainda na adolescência, quando decidiu ensinar para oferecer o método que não encontrou nas próprias aulas. Hoje, ela coordena projetos que aproximam teoria e prática.
A Adriana trabalha em Sobradinho no início de carreira e hoje leciona no Paranoá. Ela valoriza a educação humanizada, a proximidade com os estudantes e a linguagem que dialoga com a realidade dos jovens. Em sala, promove atividades como a gincana Senhores do Enem, com questões de provas anteriores em formato lúdico.
A professora dirige a Escola Classe Auto Interlagos e retornou às aulas noturnas no CED Darcy Ribeiro em 2022. A família também respira educação, com três irmãs igualmente docentes. A formação inclui licenciaturas em ciências, biologia e matemática, com especializações que ampliam a atuação no ensino médio.
A missão de Adriana enfrenta desafios da atualidade, como usos da inteligência artificial e violência em contextos vulneráveis. Ela aponta demandas superiores à capacidade do sistema e reforça a necessidade de formação contínua para acompanhar mudanças no ensino.
Ensino como missão
Com mais de três décadas de atuação, o professor Fábio Tosta, aos 54 anos, defende que relacionar matemática ao cotidiano é a estratégia de maior impacto. As aulas misturam conteúdos com situações reais, como cinema, física e visitas a espaços urbanos de Brasília.
Fabão, como é conhecido, iniciou aprendizados no ensino público ainda jovem e, ao longo da carreira, atuou em 15 escolas. Em sala, distribui as atividades ao longo da semana, com foco em geometria, álgebra e aritmética, mantendo disciplina por meio de dinâmicas bem planejadas.
A experiência resultou em livro com dicas pedagógicas e em prêmios reconhecidos pela comunidade escolar. O projeto Na Moral, do Ministério Público do DF, conferiu a ele o título de Herói da Escola, após votação dos alunos, refletindo o reconhecimento da prática engajada.
Fábio também colaborou para aproximar teoria e prática com estudos sobre neurociência aplicada à educação. O objetivo é manter os estudantes motivados e interessados pela matemática, ampliando o interesse por áreas técnicas.
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