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Universidades europeias reconhecem dívida com povos originários do Brasil

Universidades europeias reconhecem dívida histórica com povos originários do Brasil, ampliando protagonismo indígena na educação superior e em pesquisas doutorais

Indígenas do Mato Grosso do Sul participam de programa de intercâmbio intelectual na Universidade Paris 8, em Paris.
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  • Representantes de povos originários do Brasil participam de programas de intercâmbio em pesquisa científica na Universidade Paris 8, na França, em parceria com a embaixada da França no Brasil e a Capes.
  • A cooperação busca ampliar a presença indígena no ensino superior e fomentar o diálogo entre saberes ancestrais e conhecimento ocidental.
  • Na UFGD, o número de indígenas formados na graduação passou de cerca de 20 há vinte anos para quase 500 hoje; entre doutorandos indígenas, são cerca de 10 a 15 por ano, e quase cinquenta já são doutores.
  • Os temas de pesquisa abrangem História, Geografia, Sociologia, Antropologia, Educação e Letras, com foco nas realidades das aldeias e suas relações com a não aldeia.
  • O reitor Jones Dari Goettert afirma que a participação indígena representa uma virada antropológica e cultural, com protagonismo acadêmico e contribuição para debates sobre ambiente e desenvolvimento.

Em meio a debates sobre memória histórica, reparação e diversidade, povos originários do Brasil participam de programa de intercâmbio de pesquisa na Université Paris 8, em Paris. A visita ocorreu em meio a uma cooperação entre Brasil e França visando ampliar a presença indígena no ensino superior.

A experiência envolve a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), no Mato Grosso do Sul, representada pelo reitor Jones Dari Goettert, que acompanhou a parceria junto à Paris 8. A pauta inclui intercâmbio de estudantes, doutorandos e pesquisadores indígenas.

A cooperação é viabilizada por meio de acordo entre a embaixada da França no Brasil e a Capes, ampliando o acesso de comunidades indígenas a programas de graduação, doutorado e pós-doutorado. A UFGD já criou uma faculdade para povos indígenas, do campo e quilombolas.

A iniciativa revela uma transformação: de objetos de estudo a autores de suas próprias teses, fortalecendo protagonismo indígena no ambiente universitário. O reitor observa ganhos para a formação de lideranças e para o debate científico.

A presença indígena na universidade inspira mobilidade internacional entre estudantes, histórico que, segundo o reitor, historicamente foi associada à classe média alta. O intercâmbio busca ampliar o diálogo entre saberes ancestrais e ocidentais.

Virada antropológica

Acadêmicos franceses têm demonstrado interesse na participação de doutorandos indígenas. Segundo Goettert, a presença indígena na França é parte de uma reparação histórica estrutural, reconhecendo dívidas com povos originários.

O reitor cita a necessidade de a Europa Ocidental ouvir e dialogar com modos de vida distintos, abrindo espaço para cosmologias e cosmografias indígenas. Tais saberes são considerados relevantes para questões atuais como meio ambiente e aquecimento global.

Ao voltar ao Brasil, esses estudos ajudam a consolidar o protagonismo indígena, afirmando lideranças territoriais. O retorno dos pesquisadores ao país é visto como acesso a novas perspectivas para enfrentar desafios locais e globais.

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