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Programa educacional em SP é apontado como causador da precarização do ensino

A pesquisa aponta precarização da juventude trabalhadora e desvalorização de ciências e literatura com a implementação do Novo Ensino Médio pelo Inova Educação

Novos Cientistas - USP
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  • Em 2019, o governo de São Paulo lançou o programa Inova Educação para implantar o Novo Ensino Médio na rede estadual, sem participação de cientistas ou universidades, substituindo disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo.
  • Mestrado transformado em livro aponta precarização da juventude trabalhadora e esvaziamento de ciências e literatura para moldar alunos ao mercado informal.
  • O estudo durou vinte e sete meses e o livro Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial foi lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital.
  • O Movimento Inova, promovido pela Secretaria da Educação no segundo semestre de 2019, ocorreu na Efape com a presença do governador João Dória e de palestrantes do setor privado, incluindo representantes do Instituto Ayrton Senna, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Fundação Vanzolini e Microsoft.
  • Disciplinas criadas incluíram Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas; algumas eletivas tiveram conteúdo patrocinado pela empresa iFood, conforme relatos do pesquisador, que também cita declarações do então secretário de Educação sobre o objetivo de o ensino médio preparar os alunos para o mercado de trabalho.

Em 2019, o governo de São Paulo lançou o programa Inova Educação, com o objetivo de implementar o Novo Ensino Médio na maior rede pública do país. A avaliação apresentada aponta caminhos de precarização do ensino e mudanças no currículo.

O estudo de mestrado, conduzido por Felipe Alencar e orientado pela professora Carmen Silvia Vidigal, analisa impactos do programa na rede estadual paulista. Segundo o pesquisador, houve substituição de disciplinas tradicionais por conteúdos voltados ao empreendedorismo e ao mercado.

A pesquisa aponta ainda a participação de entidades privadas no processo, sem participação de cientistas ou universidades, o que, na visão do autor, influenciou a definição de conteúdos. O período analisado compreende o segundo semestre de 2019, marcado por ações oficiais associadas ao Inova Educação.

Entre as fontes de evidência, o estudo menciona um evento chamado Movimento Inova, promovido pela Secretaria da Educação na Efape, com a presença de representantes de organizações privadas. Participaram, segundo o pesquisador, instituições como Instituto Ayrton Senna, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Fundação Vanzolini e Microsoft.

O conteúdo curricular passou a incluir disciplinas como Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas, com relatos de patrocínios de empresas. O pesquisador cita também críticas a conteúdos de eletivas, apontando vínculos com condições de trabalho de entregadores, relacionados a plataformas digitais.

Segundo Alencar, o secretário da Educação da época, Rossieli Soares da Silva, defendia que o ensino médio deveria priorizar a entrada no mercado de trabalho, e não apenas o vestibular. A pesquisa completa, com 27 meses de estudo, resultou no livro lançado em 2026 pela Editora Lutas Anticapital.

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