- A PNAD Educação do IBGE aponta que 7,9 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos não concluíram o ensino médio ou nunca frequentaram a escola.
- As principais causas são necessidade de trabalhar e falta de interesse; entre as mulheres, gravidez e tarefas domésticas aparecem como entraves.
- Houve queda de mais de oito por cento em relação à edição anterior, que registrava 8,6 milhões, mas não há confirmação de que o Pé-de-Meia tenha contribuído.
- A maior evasão ocorre a partir dos 15 anos, com altas taxas aos 16, 17 e 18 anos; 59,8% dos que abandonaram eram homens, 40,2% mulheres.
- Na distribuição por cor/raça, 72,8% eram pretos ou pardos e 26,4% brancos; 6 a 14 anos têm taxa de escolarização de 99,5%, enquanto 15 a 17 anos é de 93,2%.
A evasão escolar no Brasil segue sendo significativa, mas registra queda. Pelo menos 7,9 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não completaram o ensino médio ou nunca frequentaram a escola, aponta a PNAD Educação do IBGE, divulgada nesta sexta-feira. O recorte mensal ainda não permite atribuir a queda ao programa Pé-de-Meia, lançado em 2024 para incentivar a permanência escolar com auxílios.
Entre os jovens, a proporção feminina está em 40,2% entre os que abandonaram ou não frequentaram a escola, enquanto os homens representam 59,8%. Embora as meninas tenham maior participação na educação, a evasão continua mais expressiva entre os meninos, especialmente na faixa etária mais próxima do ensino médio.
Dados nacionais e faixas etárias
A taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 99,5%, equivalente a cerca de 26 milhões de estudantes. Entre 15 e 17 anos, a escolarização fica em 93,2%, estável ante 2024, mas aquém da meta desejada. A maior parte da evasão ocorre a partir dos 15 anos, com destaque para 16 a 18 anos.
Motivos e perfis de quem deixa a escola
A justificativa principal para abandonar ou não iniciar os estudos é a necessidade de trabalhar, citada por 43,0% dos jovens, aumento de 1 ponto porcentual em relação a 2024. O segundo motivo é a falta de interesse nos estudos (25,6%).
Entre homens, trabalhar é o fator dominante (54,2%), seguido de falta de interesse (28,0%). Entre mulheres, trabalho aparece em 26,2%, mas gravidez (24,7%) e tarefas domésticas (8,6%) também aparecem com peso relevante, refletindo diferenças de gênero no Brasil.
Considerações da pesquisa
Especialistas apontam que o abandono precoce, especialmente no ensino fundamental, persiste e agrava a precarização da formação educacional. A transição entre currículo, percepção de utilidade do ensino médio e entrada precoce no mercado de trabalho são apontadas como possíveis fatores para a evasão.
Conclusões e próximos passos
O IBGE ressalta a necessidade de ampliar estratégias de apoio financeiro e de políticas públicas para manter jovens na escola. O relatório não estabelece relação direta entre o Pé-de-Meia e a redução observada, mas destaca a importância de ações integradas para reduzir a evasão.
Entre na conversa da comunidade