- Série Ser Menino, em parceria com Plan International Brasil, discute a violência de gênero nas escolas e seu impacto principal sobre meninas e estudantes LGBTQIAPN+.
- A violência nas escolas é cotidiana e abrange violência verbal, simbólica e psicológica, assédio, violência sexual, além de violência institucional e entre pares.
- Segundo a pesquisa Livres para Sonhar (2025), o ambiente escolar registra xingamentos misóginos, sexualização precoce e culpabilização das meninas; a UNESCO aponta bullying generalizado nas escolas brasileiras.
- Assédio sexual e violência sexual aparecem desde a infância, com 56% das estudantes já presenciando sexualização ou cantadas indesejadas e 42% vendo toque não consentido no último semestre letivo.
- No ambiente escolar, a violência institucional inclui regras de vestimenta rígidas e falhas de encaminhamento de denúncias; 17% dos professores relataram casos de assédio sexual praticado por docentes.
- A violência entre pares envolve rivalidade entre meninas e controle da sexualidade; 3 em cada 4 estudantes LGBTQIA+ já sofreram agressões verbais, e 27% relataram violência física; no digital, 64% das denúncias de abuso online em 2025 envolvem crianças e adolescentes.
A sérieEspecial Ser Menino, realizada em parceria com a Plan International Brasil, discute as violências de gênero presentes nas escolas e na rotina de adolescentes. O tema vai além de casos extremos, incluindo práticas simbólicas, verbais e digitais.
Segundo a pesquisadora Ana Nery, o problema atinge principalmente meninas, estudantes LGBTQIA+ e outros corpos marginalizados, instaurando desigualdades enraizadas nas relações de poder dentro da escola. As violências aparecem de forma cotidiana e muitas vezes naturalizada.
Tipos de violência presentes nas escolas
A violência de gênero ocorre quando mulheres, meninas e pessoas LGBTQIA+ sofrem por serem quem são. Ela se manifesta em atitudes, palavras e ações que causam sofrimento físico, sexual ou psicológico. A Convenção de Belém do Pará orienta essa definição.
A violência verbal, simbólica e psicológica é a mais comum no ambiente escolar, com xingamentos sexistas e depreciativos. Pesquisas indicam que 25% dos professores veem xingamentos recorrentes e mais de 60% observam sexualização mensal de meninas.
Assédio sexual e violência sexual aparecem desde a infância e se intensificam na adolescência. Entre referências, destacam-se cantadas indesejadas, toques não consentidos e divulgação de imagens íntimas sem consentimento.
A violência institucional envolve normas escolares e a forma como denúncias são tratadas. Regras de vestimenta e vigilância sobre o corpo das meninas aparecem entre as causas de desproteção, segundo as pesquisas.
A violência entre pares também existe, com a chamada rivalidade entre mulheres que reforça normas sobre sexualidade e reputação. Esse tipo de prática pode gerar humilhação e conflitos entre amigas.
Entre os episódios de violência, destacam-se ataques contra estudantes LGBTQIA+, com insultos, exclusão social e agressões físicas ou simbólicas. Dados oficiais apontam alta incidência de abusos de orientação sexual.
Violência no ambiente digital e impactos educativos
A cyberviolência amplia o alcance das agressões, incluindo difusão de imagens sem consentimento e assédio online. Relatórios apontam crescimento de casos envolvendo adolescentes, inclusive em contexto escolar.
A pesquisa Livres para Sonhar revela que grande parte dos casos de sexualização e compartilhamento de imagens ocorre entre colegas, muitas vezes sem resposta adequada da escola. Esses episódios refletem vulnerabilidades institucionais.
Dados do Ministério Público Federal, do UNICEF e de organizações de segurança pública indicam que a violência de gênero começa cedo e atravessa o espaço escolar, exigindo respostas eficazes das instituições e da sociedade.
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