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Custo da permanência no curso de medicina é tema de debate

Ampliação de vagas em medicina não elimina o custo da permanência: transporte, moradia e acessibilidade desafiam alunos de baixa renda

Pedro Victor Paterra, aluno de medicina da UnB
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  • A reportagem mostra que ter ingresso em medicina não encerra o desafio: estudantes de baixa renda enfrentam transporte, dificuldades financeiras, falta de acessibilidade, necessidade de trabalhar e dúvidas sobre pertencimento.
  • Diego Aguiar, 31 anos, passou de Icaraí de Minas para UnB, morou na CEU, teve que trabalhar para se manter e está no 12º período, próximo de concluir.
  • Joyce Lourenço, 19 anos, está no terceiro período, ingressou pelo PAS com cotas e enfrenta greve e necessidade de trabalhar para custear materiais e deslocamentos.
  • Ghabriel Alves Amorim, 22 anos, cadeirante, está no quinto período e encara obstáculos de transporte, elevadores e acessibilidade, além de estudar longe de casa.
  • Beatriz Silva Leandro, 20 anos, no sexto semestre, enfrenta longos deslocamentos (aproximadamente quatro horas diárias) e encontra apoio de professores e familiares para seguir a carreira.

O custo da permanência no curso de medicina é tema recorrente para estudantes de baixa renda na Universidade de Brasília (UnB). A aprovação na graduação é apenas o primeiro degrau de uma jornada marcada por transporte, moradia, alimentação e trabalho. A vida cotidiana dentro da universidade revela barreiras que vão além das provas.

A trajetória de ingresso teve avanços com ampliação de vagas, cotas e financiamento estudantil, segundo Esmeraldo Malheiros, consultor jurídico da AMIES. Mesmo com maior diversidade, a permanência no curso exige esforço diário e muitas vezes envolve sacrifícios pessoais. A reportagem mostra casos que ilustram esse cenário.

Destino improvável

Diego Aguiar, 31 anos, nasceu em Icaraí de Minas (MG) e chegou à UnB após um percurso de trabalho e estudo. Saiu de casa aos 14 para buscar educação em um internato, fez cursinho de baixo custo e ingressou em medicina em Ouro Preto e na UnB. Em Brasília, contou com a CEU para moradia.

Ao longo do curso, Diego conciliou trabalho, moradia autônoma e estudo. Hoje está no 12º período e próximo de concluir. O desejo é retornar à cidade natal e retribuir aos familiares, mesmo com dívidas pendentes.

Joyce Lourenço

Joyce, 19 anos, cursa o terceiro período e nasceu em Ceilândia. Sempre estudou em escolas públicas e recorreu a cursinhos sociais para competir pela vaga. A aprovação ocorreu pelo PAS via cotas, com apoio estudantil durante a greve de técnicos.

Concilia prática de estudo com trabalho para custear materiais. A trajetória evidencia que, apesar da conquista, a rotina exige dedicação contínua. Ela vê a universidade como oportunidade de construir um futuro a partir de sua realidade.

Obstáculos para cadeirante

Ghabriel Alves Amorim, 22, é cadeirante e está no quinto período em Goiás. A aprovação ocorreu após superação de barreiras e uso de cursinho online acessível. Morador de Cidade Ocidental, ele enfrentou transporte insuficiente, elevadores inadequados e acessibilidade restrita.

Durante o vestibular, chegou a enfrentar uma infecção intestinal grave, mas concluiu a prova e conquistou a vaga. Entre os estudos, ele segue lidando com logística de deslocamento e limitações da infraestrutura.

Doutora Beatriz

Beatriz Silva Leandro, filha de motorista de ônibus e confeiteira, está no sexto semestre aos 20 anos. Sem cursinhos pagos, ela utilizou recursos gratuitos na internet e o apoio de professores da escola pública para chegar à medicina.

A distância até a universidade, em Valparaíso de Goiás, consome tempo diário e exige esforço físico. O ambiente universitário proporcionou vínculos e uma nova percepção da profissão, com o marco de ser chamada de doutora por pacientes.

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