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Mulheres ainda são minoria na engenharia e enfrentam barreiras

Apesar de iniciativas de diversidade, dados mostram desigualdade persistente na formação e no mercado, com mulheres sub-representadas e em cargos de liderança

Thaís Santos, 24, veio de escola pública, é a primeira da família a se formar no ensino superior
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  • Mulheres são minoria na engenharia: no conjunto de formados em dois mil e vinte e quatro, vinte e seis por cento foram mulheres; na Poli, as alunas representam cerca de vinte por cento e as docentes pouco mais de quinze por cento.
  • Alunas relatam isolamento em salas majoritárias de homens e pressão para se provar na carreira; Thaís Santos, 24 anos, percebeu o desequilíbrio na Poli em sua entrada, em dois mil e vinte, e sentiu a necessidade de se destacar.
  • Mudança cultural e liderança feminina ajudam a reduzir o afastamento: a Poli teve a primeira diretora em cento e vinte e quatro anos e hoje é chefiada pela segunda mulher, Anna Reali, o que contribui para o pertencimento.
  • Iniciativas de diversidade avançam, com apoio a alunas e participação em grupos; uma aluna cita que coletivos foram decisivos para permanecer no curso, e outra destacou a presença de mulheres em lideranças com progressos no setor.
  • Desafios persistem no mercado de trabalho: casos de demissão de estágio por decisão de gestor por causa da presença feminina e episódios de assédio em obras são relatados, evidenciando dificuldades além da sala de aula.

A mulherada ainda representa minoria na engenharia, aponta levantamento e relatos de alunas. Em universidades públicas, salas majoritariamente masculinas geram sensação de isolamento e pressão por validação para seguir na carreira. Dados oficiais indicam desigualdade persistente no mercado.

Thaís Santos, 24, entrou no curso de engenharia civil na USP em 2020. Na primeira semana, viu apenas homens na sala e questionou como manteria o ritmo de estudos. Ao longo da graduação, a presença de professoras e líderes femininas amenizou o desconforto.

Mudanças na liderança e percepção de pertencimento

A Poli já teve duas mulheres à frente da direção: Liedi Bernucci, primeira em 124 anos, e hoje Anna Reali. Thaís relatou que a presença feminina na gestão traz sensação de pertencimento e motivação para continuar na área.

Segundo o Seesp, dos 87.749 formados em engenharia em 2024, 26% eram mulheres. Na Poli, mulheres somam cerca de 20% dos alunos e pouco mais de 15% dos docentes. Esses números mostram o desafio da paridade na formação.

Iniciativas e trajetória de alunas

Ainda na universidade, Thaís participou de coletivos e encontrou apoio ao optar por áreas como consultoria e finanças, além de integrar o grupo Elas no Mercado Financeiro. Ações de diversidade vêm aumentando, porém com resultados ainda limitados.

Gabriele Tres, 26, formada pela UFPR, estima que cerca de 40% da turma era feminina em seu curso. Ela relata episódios de desconforto com comentários inadequados, apesar de ter chegado a liderar o diretório acadêmico na Poli.

Experiências no mercado e resistência

Hoje Gabriele atua na implantação de infraestrutura rodoviária na Motiva, onde compõe uma equipe com quatro mulheres entre seis integrantes. Ela aponta apoio mútuo entre as colegas como fator importante para o trabalho.

O Crea-SP afirma ampliar a participação feminina com o Programa Mulher, oferecendo capacitação e apoio a profissionais em início de carreira. Em 2025, ações atingiram mais de 25 mil pessoas em universidades e escolas.

Desafios no ambiente de trabalho

Pollyana Ferraz, engenheira civil e técnica de segurança, relata demissão de estágio após gestor decidir não manter mulheres em obras. A experiência motivou uma mudança de postura, com atuação mais firme no ambiente.

Antes de cursar engenharia, Pollyana acompanhou a irmã na área, decidindo ingressar no curso para dividir rotina de estudo e trabalho. Ela relembra que, nas obras, colegas conseguiam conter abusos com intervenção dos próprios trabalhadores.

A trajetória das alunas evidencia avanços de políticas de diversidade, mas sinaliza que a igualdade ainda depende de mudanças culturais e de maior presença feminina em liderança, ensino e prática profissional.

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