- Análise de microdados do Enem 2025, apresentada pela Arco Educação a partir do Inep, aponta que a maior diferença entre redes pública e privada ocorre em questões fáceis, não nas mais difíceis.
- Em Matemática, a questão mais difícil teve acerto de 18,7% entre alunos da rede privada e 14,4% na pública.
- A questão mais fácil de Matemática, ligada a interpretação de informações do cotidiano, registrou 79,9% de acertos na privada e 55,7% na pública.
- Em Linguagens, a questão mais difícil teve 38,4% (privada) e 26,3% (pública); a mais fácil alcançou 94,3% na privada e 84,9% na pública.
- O estudo aponta que perguntas do cotidiano são as que recebem os maiores índices de acerto; o método TRI (Teoria de Resposta ao Item) considera coerência de respostas para calcular a nota.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 tem revelado que a maior diferença de desempenho entre escolas públicas e privadas não ocorre nas questões mais difíceis, mas nas que são consideradas fáceis. A análise de microdados, feita pela Arco Educação a partir de dados do Inep, aponta esse padrão em várias áreas.
Em Matemática, por exemplo, a questão classificada como mais difícil teve acerto de 18,7% entre alunos da rede privada e 14,4% entre os da pública, mostrando maior dificuldade entre os estudantes de escolas públicas. Já uma questão de interpretação de informações do cotidiano registrou 79,9% de acerto na privada e 55,7% na pública, diferença de 24 pontos.
Na área de Linguagens, a pergunta mais complexa teve 38,4% de acerto entre privados e 26,3% entre públicos, enquanto a mais fácil alcançou 94,3% e 84,9%, respectivamente. Em Ciências da Natureza, o item mais difícil teve 34,5% de acerto na privada e 31,2% na pública; a questão fácil sobre saúde e meio ambiente atingiu 81,1% versus 66,2%.
Para o conjunto de dados, a diferença entre redes também se repete, com padrões semelhantes na relação entre leitura de textos, interpretação de dados e análise de linguagem. O foco em conteúdo cotidiano continua registrando maior sucesso entre os alunos, enquanto conteúdos mais abstratos surgem como obstáculo recorrente.
Segundo Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais da Arco Educação, o quadro não deve impactar apenas o acesso ao ensino superior, pois no Brasil o sistema de cotas já reduz barreiras acadêmicas. Entretanto, ele ressalta que as habilidades básicas influenciam cidadania e inserção no mercado de trabalho.
A análise destaca ainda que a TRI, teoria que embasa a nota, premia coerência entre itens de diferentes níveis. Questões simples não devem ser desprezadas, pois ajudam a sustentar a nota final e refletem capacidades aplicáveis no dia a dia, como leitura de gráficos, porcentagem e probabilidade.
O estudo também aponta que o Enem busca formar cidadãos capazes de interpretar informações, tomar decisões e compreender fenômenos sociais. Perguntas sobre cotidiano mantêm maior índice de acerto, enquanto temas mais abstratos, como química orgânica e genética, continuam como grandes desafios.
A lógica por trás da nota
Os microdados ajudam a entender a TRI, que avalia não apenas acertos, mas a coerência das respostas. O modelo diferencia padrões consistentes de desempenho, aplicando maior peso a itens mais difíceis que o esperado.
Nessa perspectiva, o diretor da Arco indica que o erro comum entre estudantes é valorizar excessivamente as questões difíceis e desprezar as simples. A lógica da TRI implica que questões básicas têm papel central na construção da pontuação final.
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