- Uma autorretrato de Van Gogh, antes considerado falso, foi reavaliado e agora é legítimo, pertencente ao Museu Nacional da Noruega e pintado em agosto de 1889, no asilo perto de Saint-Rémy-de-Provence.
- O quadro está emprestado ao Van Gogh Museum, em Amsterdã, onde fica em exposição temporária.
- Segundo o pesquisador sênior do museu de Amsterdã, é a “única obra conhecida de Van Gogh pintada durante psicose”, oferecendo insight sobre o estado mental do artista.
- A obra mostra um autorretrato com rosto magro e olhar desfocado, expressão tensa e ombros caídos, interpretados como indicação de sofrimento.
- A história da obra envolve sua proveniência, ligação com os Ginoux de Arles e antigas dúvidas sobre a autoria; após estudo recente, volta a integrar o circuito expositivo, com exibição prevista no roteiro In the Picture, no Van Gogh Museum, e retorno à Noruega.
A obra, antes contestada, foi oficialmente reatribuída a Vincent van Gogh. O retrato pertence ao National Museum da Noruega e foi pintado em agosto de 1889, no asilo perto de Saint-Rémy-de-Provence. Hoje está em exibição no Van Gogh Museum, em Amsterdã, a pedido de empréstimo.
O retrato mostra o artista com o rosto magro e olhar esmaecido, apresentado de frente apenas parcialmente. Segundo o pesquisador sênior do Van Gogh Museum, é a única peça conhecida pintada por Van Gogh durante um episódio de psicose. A imagem oferece visão sobre seu estado mental na época.
O quadro entrou para a coleção pública em 1910, quando foi adquirido pelo National Museum da Noruega. Na década de 1970, a atribuição foi questionada e, em 2003, surgiu a sugestão de que poderia ser uma falsificação. Antes de ser estudado, estava marcado como apenas atribuído.
Provenance e avaliação
A nova avaliação sustenta que a obra pertence àFamily Ginoux, proprietários do Café de la Gare em Arles, onde Van Gogh morou em 1888. Em 1896, a pintura passou a Henry Laget e depois a Ambroise Vollard, dealer parisiense.
Van Tilborgh afirma que a data provável de produção é o final de agosto de 1889, no asilo. O tipo de tela, a paleta sombria e a pincelada correspondem ao período tardio de 1889, segundo o pesquisador.
A tela está ligada a uma carta de Van Gogh ao irmão Theo, na qual menciona um auto-retrato feito durante a doença. O artista havia passado por um ataque mental em julho de 1889 e retomou atividades de pintura em agosto.
Descrição e interpretação
O retrato revela um rosto abatido, com o olhar desviado e expressão úmida. O autor parece frágil e cansado, com ombros caídos. A direção do olhar é citada como comum em pacientes com depressão e psicose.
O tema da orelha é notável. A parte superior está pouco desenhada e a parte inferior quase ausente. Em agosto de 1889 Van Gogh mutilou a orelha esquerda, mas ao pintar observou-se a orelha direita ao se mirar no espelho, o que confunde a leitura.
Segundo Van Tilborgh, o artista iniciou com a orelha direita completa e depois raspou parte do traço para conferir expressão de sofrimento. O objetivo seria intensificar a sensação de angústia.
Exposição e próximos passos
O retrato chega hoje ao Van Gogh Museum para exibição temporária. Em seguida, integra a mostra In the Picture, dedicada a retratos de artistas, entre 21 de fevereiro e 24 de maio. Após o circuito, retorna à Noruega, onde ficará em depósito até novo anúncio.
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