- A vinicultura de Etna, na Sicília, está em volta do vulcão, cobrindo mil trezentos hectares distribuídos em cento e quarenta e duas contrade.
- As uvas Carricante (branco) e Nerello Mascalese (tinto) geram vinhos de acidez marcada, estrutura linear e percepção aromática nítida.
- Produtores como Federico Graziani, Graci e Girolamo Russo defendem uma abordagem de não exagerar na extração e de manter a prova de montanha, deixando o terroir falar.
- Etna é comparada a Burgundy em alguns aspectos, mas projects uma identidade própria, moldada por clima, mercado e estética, não apenas pelo terroir.
- Exemplo em destaque: Maugeri Contrada Volpare Rosato 2024, feito de Nerello Mascalese, com aroma de frutos vermelhos, toque mineral e acidez viva.
A jornalista Cristina Mercuri, fundadora do Mercuri Wine Club, analisa as características naturais da DOC Etna, em Sicily, e como a região molda a identidade atual do vinho italiano. Etna se apresenta como expressão de elegância mais contida e mineral, frente a um cenário italiano frequentemente associado a opulência.
Ainda que a Itália tenha fama de vinho quente, Etna surge como entidade distinta, com estilo mais incisivo e estruturado. A área de vinhedos percorre cerca de 1.300 hectares em 142 contrade, em paisagens marcadas por lava e altitude variável.
As interações entre vulcão ativo e vinhas criam uma sensação de presença no terreno. O resultado é uma expressão que privilegia contenção, sem extração excessiva, valorizando a elevação e a acidez. Carricante branco e Nerello Mascalese vermelho dominam as lavouras.
A visão de produtores e o conceito de elegância
Nomes como Federico Graziani, Graci e Girolamo Russo representam uma mesma filosofia: deixar o monte falar, evitar manipulação e manter a fruta em evidência. O norte da ilha concentra referências que reforçam esse perfil.
Alguns especialistas comparam Etna a Burgundy, mas a autora sustenta que Etna constrói uma identidade própria, influenciada por clima, mercados e tendências. A elegância aparece como resultado dessa combinação, não de uma única prática.
A discussão abrange ainda como o conceito de elegância se manifesta em outras regiões, como Chianti Classico e Valpolicella, sinalizando uma recalibração setorial maior do vinho italiano.
Etna no foco da mudança de paradigma
Mercuri defende que Etna lidera pela clareza da expressão: um vinho lean, mineral e energético, que não depende de manipulação artificial. A expressão surge de baixo para cima, ancorada na terra.
A autora questiona se o atual entusiasmo pela elegância indica resposta a vinhos super-cuvée dos anos 90 e 2000, mudanças climáticas ou uma mudança cultural no consumo. O que importa é a natureza distinta de Etna.
Etna é vista como contribuinte crucial para o vocabulário de finesse no vinho italiano, apresentando uma visão sulista e enraizada na terra, além de desafiar noções tradicionais sobre região e clima.
Destaque da degustação do mês
No projeto em destaque, Maugeri Contrada Volpare Rosato 2024, feito com Nerello Mascalese, evidencia elegância contida de Etna. O vinho apresenta bouquet frutado, toque de tostado e notas minerais, com acidez vibrante e estrutura em camadas.
O Rosato oferece final cítrico e uma passagem precisa pela boca, reforçando a leitura de Etna como expressão de controle e autenticidade. Cristina Mercuri assina a apresentação como referência da visão de mercado.
Entre na conversa da comunidade