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Jonathan Anderson, da Dior, comenta estagnação da moda e criatividade limitada

Jonathan Anderson assume Dior para reinventar a moda masculina, criticando a estagnação do setor e sinalizando retorno das gravatas

Jonathan Anderson, diretor criativo da Dior — Foto: Nathaniel Goldberg
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  • Jonathan Anderson, ex-Loewe e JW Anderson, assume a Dior Men como novo diretor criativo e afirma buscar a renovação da marca para a era atual.
  • O desfile ocorreu em Paris, com cerca de 600 presentes e transmissão pela internet para mais de um milhão de pessoas, marcado como o evento principal da temporada primavera-verão de milninehundenta e vinte e seis.
  • Anderson defende decodificar para recodificar a Dior, conectando peças clássicas a uma linguagem mais contemporânea e abrindo espaço para itens como gravatas em foco.
  • Sua passagem pela Loewe elevou a receita da marca de US$ 230 milhões para quase US$ 2 bilhões; ele também dirige a JW Anderson.
  • A Dior representa cerca de 10% das vendas globais da LVMH; a indústria de luxo enfrenta mudanças e a pandemia ajudou a atrasar a troca geracional, segundo o criador.

Jonathan Anderson assume a Dior Men para renovar a marca e buscar o impulso que a casa perdeu nos últimos anos. O desfile de verão 2026 ocorreu em Paris, com a plateia de celebridades e imprensa presente e milhões acompanhando online. O objetivo é repensar o guarda-roupa masculino sob a visão do novo diretor criativo.

Anderson, de 41 anos, chegou à Dior após passagens marcantes pela Loewe e pela JW Anderson. Sua tarefa é decifrar como a Dior pode decodificar a moda masculina contemporânea, mantendo a herança da casa e abrindo espaço para novas narrativas visuais. A apresentação abriu as portas para uma era de maior integração entre pesquisa criativa e produção comercial.

O desfile aconteceu em um museu improvisado no Hôtel National des Invalides, em Paris, num cenário que reuniu cerca de 600 convidados. A transmissão pela internet superou 1 milhão de espectadores, evidenciando o interesse global pelo momento de transição da marca.

Durante a prévia, Anderson falou sobre a necessidade de recodificar a Dior e de reconectar a marca com o público masculino, ao mesmo tempo em que manteve referências históricas da casa. Sua abordagem busca transformar itens tradicionais, como gravatas e ternos, em propostas contemporâneas e desejáveis.

A Dior é apresentada como a joia da coroa da LVMH, símbolo da moda francesa, e a direção de toda a companhia ficou sob a responsabilidade de Anderson, após a saída de Kim Jones e Maria Grazia Chiuri do masculino e feminino, respectivamente. O desafio é manter o peso histórico da grife frente a uma queda de consumo no setor de luxo.

No decorrer do evento, Anderson manteve o foco em peças que combinam sobriedade com toques de ousadia, incluindo camisas de popeline, jaquetas de tweed e itens de inspiração aristocrática em casacos e coletes. A estética ganhou elementos de utilitarismo esportivo e referências ao guarda-roupa parisiense do século XVIII.

O designer também ressaltou a ideia de transformar o conceito de posse na moda, defendendo que as criações devem pertencer ao mundo e não a um único criador. Essa visão molda a forma como ele encara coleções, campanhas e atividades de comunicação da Dior.

Antes de assumir a Dior, Anderson consolidou seu trabalho na Loewe, elevando a marca a patamares globais com estratégias criativas ambiciosas. Sua trajetória inclui a fundação da JW Anderson, em Londres, conhecida por desafiar normas de gênero na moda masculina desde 2013.

Ao falar sobre masculinidade, Anderson descreveu-a como um conceito fluido e em transformação. Seu discurso aponta para uma moda masculina cada vez mais inclusiva, capaz de incorporar referências de arte, cultura queer e estilos esportivos tradicionais, sem seguir fórmulas fixas.

A diretoria criativa da Dior encara um momento de mudanças estruturais, com a expectativa de produzir dezenas de peças por ano, incluindo a entrada da alta-costura na esfera da marca pela primeira vez na carreira do designer. Além das coleções, ele supervisiona campanhas, comunicação e demais aspectos operacionais da Dior.

O panorama do setor de luxo evidencia uma tendência de reorganização de equipes criativas após o período de queda de vendas. A Dior representa cerca de 10% das vendas globais do grupo LVMH, o que intensifica a necessidade de renovação e de melhorias na percepção de valor da marca.

Sobre o futuro, Anderson sugeriu que a estética pode buscar inspirações que vão de referências da Woodstock aos hippies dos anos 70, com abertura para direções não previstas. A ideia é encontrar a modernidade no presente, sem se prender ao passado de forma rígida.

A produção de hoje marca o início de uma nova fase para a Dior Men, com Anderson comandando também projetos de alta-costura e a reformulação de outras linhas. O desafio é manter o equilíbrio entre a tradição da maison e a expectativa de inovação que o público atual demanda.

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