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Flock usa trabalhadores gig estrangeiros para desenvolver IA de vigilância

Documentos revelam que trabalhadores no exterior, via Upwork, treinam IA da Flock para revisar imagens nos EUA, levantando dúvidas sobre acesso a dados

The Curious Case of the Bizarre, Disappearing Captcha
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  • A Flock usa trabalhadores no exterior (via a plataforma Upwork) para treinar seus algoritmos de IA, com annotadores localizados nas Filipinas e conduzindo revisão de imagens de placas e veículos nos EUA.
  • O painel exposto mostrava métricas como “annotations completed” e “annotator tasks remaining in queue”; as tarefas incluíam classificar marcas, cores e tipos de veículos, transcrever placas e tarefas de áudio.
  • As imagens de referência incluíam placas de veículos e cenas nos Estados Unidos, com exemplos em Nova York, Michigan, Flórida, New Jersey e Califórnia; havia até anúncios de escritórios de advogados em Atlanta.
  • Há preocupações sobre quem acessa as imagens coletadas e onde as pessoas que revisam o material estão sediadas; ações legais citam uso de câmeras da Flock sem mandado em investigações de ICE (Immigration and Customs Enforcement).
  • O painel exposto foi removido após contato da reportagem; a Flock não comentou.

Flock, empresa de câmeras de vigilância com IA amplamente presente nos EUA, utilizou trabalhadores no exterior por meio da plataforma Upwork para treinar seus algoritmos. Documentos expostos mostram que esses trabalhadores analisam e classificam imagens capturadas por câmeras que monitoram veículos e pessoas nos Estados Unidos. A divulgação ocorreu após vazamento acidental pela própria companhia, conforme apurou a 404 Media.

Segundo os materiais, a equipe credenciada incluía profissionais em Filipinas, recrutados via Upwork. O painel exposto trazia métricas como “annotations completed” e “tasks remaining in queue”, além de instruções para rotular modelos de veículos, cores, lugares e até o áudio das gravações. Após contato da reportagem, o painel foi removido e a Flock não comentou.

As imagens contidas nos materiais de treinamento mostravam placas de trânsito e cenas de vias de estados como Nova York, Michigan, Flórida, New Jersey e Califórnia, com sinais de que as filmagens são de território americano. Perguntas sobre quem tem acesso às imagens e onde os revisores estão baseados aumentam a preocupação com uso de dados sensíveis por autoridades e com eventuais buscas sem mandado.

Especialistas destacam que grandes empresas de IA recorrem a mão de obra externa para reduzir custos, mas a natureza do serviço da Flock implica dados de cidadãos monitorados quase que constantemente. Organizações de defesa de direitos civis já questionam, em ações judiciais, a amplitude e o controle sobre essas informações. A empresa não apresentou posicionamento adicional até o momento.

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