- Dados do Censo 2022 do IBGE mostram 16,4 milhões de brasileiros em 12.348 favelas, com pavimentação menor, calçadas precárias e acesso insuficiente a serviços públicos.
- 19,1% dos moradores de favelas vivem em vias que suportam apenas motos, bicicletas e pedestres; 62% das favelas estão em vias de menor capacidade de tráfego.
- 38% dos moradores de favelas têm dificuldade de acesso a serviços, e 3,1 milhões não conseguem que uma ambulância ou caminhão de lixo chegue até a porta de casa.
- Calçadas: 53,9% nas favelas têm calçadas, contra 89,3% fora; apenas 3,8% das vias nas favelas possuem calçadas sem obstáculos; na Rocinha, apenas 0,1% dos domicílios ficam nessas vias.
- Pavimentação e iluminação: 78,3% das vias nas favelas são pavimentadas, ante 91,8% fora; 91,1% das favelas ficam em trechos com iluminação, frente a 98,5% fora. Bahia é exceção, com pavimentação nas favelas maior que fora.
O Censo 2022 do IBGE revela desigualdades urbanas persistentes: 16,4 milhões de brasileiros vivem em 12.348 favelas, com pavimentação e serviços públicos insuficientes. A análise faz parte do suplemento Favelas e comunidades urbanas.
Quase 19,1% dos moradores de favelas vivem em vias que suportam apenas motos, bicicletas e pés. Fora das favelas, esse percentual é de 1,4%. Isso implica dificuldade de chegar a ambulâncias, ônibus e caminhões de lixo.
Entre as vias de acesso, 93,4% das pessoas fora das favelas residem em ruas que aceitam caminhões e veículos de carga, contra 62% dentro das favelas. Para 38% dos moradores de favelas, as vias dificultam serviços básicos.
Desafios de mobilidade e infraestrutura
Calçadas sem obstáculos são presentes em 89,3% dos bairros fora das favelas, mas apenas 53,9% nas favelas. Em vias com calçadas livres de obstáculos, 22,3% dos moradores de fora comparados a 3,8% nas favelas.
Pavimentação também diverge: 78,3% das favelas têm vias pavimentadas, ante 91,8% fora. A qualidade aumenta com o tamanho da população da favela, chegando a 86,7% em áreas com mais de 10 mil moradores.
Bahia como exceção
A Bahia é a única unidade federativa em que a parcela de moradores de favelas com vias pavimentadas (92,1%) supera a de áreas não faveladas (89,7%). Analistas associam a autoconstrução local à essa diferença regional.
Iluminação pública está presente em 91,1% das favelas, bem abaixo dos 98,5% fora delas. Em Rocinha, maior favela do país, esse índice cai para 54,3%, evidenciando desigualdade na presença de infraestrutura básica.
Leticia Giannella, gerente do IBGE, aponta que os dados podem subsidiar pleitos por melhorias. Filipe Borsani ressalta a relação entre planejamento público e exclusão histórica das favelas.
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