- Pesquisa com quase 11 mil adolescentes de 13 a 17 anos na Inglaterra e no País de Gales mostra que uma em cada nove já foi abordada por criminosos para vender, transportar ou guardar drogas, armas ou dinheiro; mais de um quarto aceitou a proposta (cerca de 120 mil jovens).
- Ofertas incluíram 42% dinheiro e 27% drogas ou álcool; cerca de 22% disseram ter sido ameaçados com violência física ou sexual, 18% foram chantageados e 18% disseram dever dinheiro.
- Freqüentemente há envolvimento em gangues: 2,4% estiveram em uma gang no último ano, 4% já haviam sido membros; mulheres representam 39% dos membros.
- Jovens explorados em atividades criminosas apresentaram maior risco de violência grave: 48% foram vítimas de violência que exigiu atendimento médico, e 51% já tinham agredido alguém, contra 3% e 1%, respectivamente, entre os não abordados.
- A ONG Youth Endowment Fund recomenda deterção focalizada como solução, com um piloto de £ eight milhões com o Home Office para avaliar a aplicação na Inglaterra, com resultados esperados para 2028. (Nome de um adolescente foi trocado por proteção.)
A pesquisa do Youth Endowment Fund (YEF) revela que quase 1 em cada 9 adolescentes foi abordado por criminosos para vender, transportar ou guardar drogas, armas ou dinheiro. A coleta ocorreu em Inglaterra e no País de Gales, com quase 11 mil jovens entre 13 e 17 anos respondendo. O estudo aponta que muitos são atraídos por recompensas, pressões de grupo e medo de violência.
Entre os abordados, mais de um quarto aceitaram a oferta, totalizando cerca de 120 mil jovens. Foram 42% oferecidos dinheiro e 27% drogas ou álcool. Ameaças físicas ou sexuais ocorreram para 22%, 18% sofreram extorsão e 18% disseram dever dívidas. A incidência de violência é maior entre os recrutados.
Quase 2,4% disseram ter participado de uma gangue no último ano, e 4% já haviam sido membros antes. Motivações incluem pressão social, tédio, proteção, pertencimento, status e ganhos. Mais de metade dos membros já vendeu, transportou ou armazenou drogas, armas ou dinheiro. Mulheres representam 39% dos membros.
Dados da pesquisa e principais achados
A exploração criminal deixa sequelas graves: 48% foram vítimas de violência que exigiu atendimento médico, 18 vezes mais que quem nunca foi abordado. Metade dos abordados relatou ter ferido alguém, frente a 1% do grupo não abordado. A relação com o crime é marcada por traumas e repetição de padrões.
Muitos jovens apontam saídas. Ao deixarem gangues, citam amadurecimento, redução do estresse, desejo de evitar problemas com a polícia, além de influências positivas como esportes, programas criativos e adultos de confiança.
Um caso citado é de James*, que começou a receber ofertas aos 12 anos. Com 14, já desaparecia, vendia drogas e temia pela vida. Após apoio de uma ONG, conseguiu reverter a situação e teve charges retiradas com suporte jurídico. O relato evidencia lacunas de proteção e apoio precoce.
Caminhos de intervenção
A instituição destaca a deterrência direcionada como solução promissora, combinando ações rápidas de policiamento com apoio personalizado para atacar as causas da violência. Um piloto com o Home Office, financiado em 8 milhões de libras, investiga a aplicação dessa estratégia na Inglaterra, com resultados esperados para 2028.
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