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Um em cada cinco brasileiros já usou drogas ilícitas, aponta estudo

Lenad III aponta aumento do uso entre mulheres e adolescentes; cannabis segue mais consumida e substâncias sintéticas ganham espaço, elevando riscos

São Paulo (SP), 24/06/2024 - Prefeitura e governo instalam grades na Cracolândia e delimitam espaço de usuários de drogas. Gradil foi colocado na Rua dos Protestantes na terça-feira (18). Um dos objetivos das gestões é liberar parte da via para o trânsito de carros de segurança e de saúde.
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  • Cerca de 18,7% da população brasileira já experimentou drogas ilícitas ao menos uma vez; entre homens, 23,9% já usaram, e entre mulheres, 13,9%.
  • Entre mulheres jovens, a participação de meninas que já experimentaram drogas foi superior à dos meninos; o uso entre adultos passou de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023, com ganho maior entre mulheres (de 3% para 10,6%).
  • A cannabis continua sendo a substância ilícita mais consumida, com mais de 10 milhões de brasileiros atingidos no último ano; 28 milhões já usaram na vida (15,8%).
  • Entre 14 e 17 anos, pelo menos 1 milhão são usuários esporádicos; o uso entre meninas subiu de 2,1% para 7,9%, enquanto entre meninos caiu de 7,3% para 4,6%.
  • Sinais de expansão de substâncias sintéticas e psicodélicas: Ecstasy de 0,76% para 2,20%; alucinógenos de 1,0% para 2,1%; estimulantes sintéticos de 2,7% para 4,6%; mais de 3% dos usuários de cannabis buscaram emergências. Além disso, Sul e Sudeste são as regiões com maior consumo.

Um em cada cinco brasileiros já experimentou drogas ilícitas ao menos uma vez na vida, aponta o Lenad III, estudo da Unifesp. A pesquisa atualizou dados sobre consumo de substâncias psicoativas no país entre 2022 e 2023, com 16.608 entrevistas.

Entre homens e mulheres houve diferença relevante: 23,9% dos homens já usaram, contra 13,9% das mulheres. Entre mulheres jovens, a taxa de experimentação foi maior que a de meninos, evidenciando um aumento entre meninas adolescentes.

Mais de 13 milhões de pessoas fizeram uso de drogas até um ano antes da pesquisa, o que representa 8,1% da população. Entre adultos, o consumo passou de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023, com ganho expressivo entre mulheres.

Panorama por grupo etário e região

A terceira edição do estudo mantém a metodologia das anteriores, com 16.608 questionários respondidos por pessoas com 16 anos ou mais. Regiões Sul e Sudeste aparecem como as que mais consomem, com concentração entre adultos de 18 a 34 anos.

O levantamento aponta mudanças no perfil de usuários, sobretudo entre adolescentes e mulheres, e maior participação de substâncias sintéticas no consumo recreativo urbano. O desenvolvimento é acompanhado de maior oferta de drogas no mercado.

Cannabis e outras substâncias

A cannabis continua sendo a substância ilícita mais consumida no país. Mais de 10 milhões de brasileiros consumiram maconha ou derivados nos 12 meses anteriores, o que representa 6% da população. No total, 28 milhões já usaram cannabis ao menos uma vez na vida (15,8%).

Entre jovens de 14 a 17 anos, ao menos 1 milhão são usuários esporádicos, com metade tendo utilizado no ano anterior. O uso entre meninos caiu de 7,3% para 4,6%, enquanto o empregode meninas aumentou de 2,1% para 7,9%.

Entre os usuários de cannabis, 54% relatam uso diário por pelo menos duas semanas consecutivas. O total corresponde a 3,3% da população, ou mais de 3,9 milhões de brasileiros. Aproximadamente 2 milhões reúnem critérios para dependência, equivalente a 1,2% da população.

Sintéticas e emergências

Cerca de 3% dos usuários já procuraram atendimento de emergência por consumo de cannabis, percentual que salta para 7,4% entre adolescentes, indicador de maior vulnerabilidade a intoxicações e crises agudas.

O estudo aponta crescimento de substâncias sintéticas e psicodélicas nos últimos dez anos. Ecstasy subiu de 0,76% para 2,20%, alucinógenos de 1,0% para 2,1% e estimulantes sintéticos (ATS) de 2,7% para 4,6%.

Considerações e impactos

A pesquisa, realizada em parceria com a Senad/MJSP e a Ipsos Public Affairs, destaca maior complexidade do mercado de drogas e riscos crescentes para usuários, principalmente adolescentes e mulheres. Sugere ajustes em estratégias de prevenção com foco em gênero e saúde mental.

Os dados reforçam a importância da vigilância epidemiológica sobre álcool e outras drogas como função permanente do sistema de saúde e da proteção social, para orientar políticas de atendimento e redução de danos.

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