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Fim de ano amplia esgotamento emocional entre mulheres

Fim de ano intensifica o esgotamento das mulheres, que acumulam 54,4 horas/semana de trabalho, elevando o burnout entre lideranças e a pressão emocional.

Invisíveis, mas não indolores: como as obrigações emocionais de fim de ano amplificam o esgotamento de mulheres
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  • Dezembro é considerado gatilho emocional, pois aumenta cobranças profissionais e tarefas domésticas, ampliando o esgotamento entre mulheres.
  • O depoimento de Mariana Rocha mostra cobrança por desempenho no trabalho e organização da ceia e gestão de expectativas em casa.
  • Em dois mil e vinte e quatro, foram registradas cerca de quarenta e setecentos mil licenças por transtornos mentais, com mulheres respondendo por sessenta e três vírgula oito por cento dos casos.
  • Entre mulheres em cargos de liderança, sessenta e seis vírgula sessenta e sete por cento apresentam burnout completo; dezesseis vírgula sessenta e sete por cento relatam esgotamento.
  • A soma de trabalho remunerado e não remunerado faz as mulheres atuarem, em média, cinquenta e quatro vírgula quatro horas por semana, frente cinquenta e duas vírgula um para os homens; dezembro agrava esse cenário.

O esgotamento de mulheres no fim do ano ganha força com a soma de jornadas remuneradas e domésticas. Em dezembro, avaliações, metas e entregas profissionais se cruzam com tarefas familiares, ampliando a pressão sobre a saúde mental.

Dados oficiais reforçam o quadro. O IBGE aponta que mulheres destinam 21,3 horas semanais a cuidados e tarefas domésticas, ante 11,7 horas dos homens. A Oxfam Brasil estima que 85% do trabalho de cuidado recai sobre mulheres, em geral não remunerado.

A desigualdade também é multiplicada pela raça e pela renda. Mulheres pretas ou pardas gastam 1,6 hora a mais por semana nessas atividades do que mulheres brancas; entre as de menor renda, a carga é 7,3 horas superior à das de maior renda.

Depoimento

Mariana Rocha, ex-assistente de vendas de uma multinacional, descreve dezembro como mês de cobranças profissionais e domésticas. “A avaliação definia bônus e aumentos, e em casa surgia outra jornada, com organização da ceia e gestão de expectativas”, relata.

O relato ajuda a compreender a instalação do esgotamento. Jornadas longas, expectativas sociais e a ideia de que mulheres devem dar conta de tudo operam juntas, sem pausas entre trabalho e vida pessoal.

Saúde mental em alerta

Em 2024, o Brasil registrou cerca de 472 mil licenças por transtornos mentais, alta de 68% em um ano; as mulheres responderam por 63,8% dos casos, segundo o Ministério da Previdência Social. A psicanalista Ana Tomazelli destaca o gatilho emocional de dezembro.

Entre lideranças, o quadro é mais intenso. A Telavita aponta que 66,67% das profissionais em alta gestão apresentam burnout completo, e 16,67% relatam esgotamento.

Impacto nas empresas

Pesquisa global da Deloitte mostra que 53% das mulheres relatam mais estresse frente ao ano anterior, com quase metade se sentindo esgotada. A situação compromete retenção, engajamento e produtividade.

A carga total de trabalho feminino, que soma atividades remuneradas e não remuneradas, chega a 54,4 horas semanais; entre homens, são 52,1 horas. O desgaste já inicia o expediente, com consequências para o desempenho.

Medidas para reduzir o esgotamento

Lideranças podem agir de imediato, segundo Ana Tomazelli. Entre as estratégias estão:

  • Ajustar metas do último trimestre para evitar sobrecarga nas semanas finais.
  • Estabelecer limites de comunicação, com horários livres de reuniões e mensagens fora do expediente.
  • Oferecer apoio psicológico e espaços de escuta no ambiente corporativo.
  • Flexibilizar horários e permitir trabalho híbrido no período.
  • Rever a distribuição de tarefas para evitar sobrecarga recorrente.
  • Garantir previsibilidade das demandas e reconhecimento das entregas ao longo do ano.

Essas ações ajudam a mitigar o esgotamento de fim de ano e protegem a saúde mental, sem prejuízo aos resultados empresariais.

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