- Mitú passou de pouco mais de quatro mil habitantes há cinquenta anos para quase trinta mil hoje, com indígenas e não indígenas se deslocando entre comunidades e centro urbano, impulsionando a expansão.
- A mineração ilegal e a extração de minerais, aliada à criação de gado, avançam pela rodovia Mitú-Monfort, causando desmatamento, degradação do solo e conflitos por terra.
- Dados do Global Forest Watch indicam perda de 1.100 hectares de floresta primária em 2024, sendo o desmatamento por corte de madeira o principal motor dessa perda.
- O crescimento da cidade e a falta de infraestrutura de saneamento provocado pela expansão geram poluição da água, que chega aos rios e afeta peixes e a saúde de comunidades ribeirinhas.
- Em junho de 2025, autoridades prenderam suspeitos de mineração ilegal em San Juan de Cucura; autoridades locais não responderam a pedidos de esclarecimentos até a publicação.
Bajo o sol nascente, comunidades indígenas próximas navegam o rio Vaupés em canoas de madeira rumo a Mitú, cidade amazônica em rápido crescimento. À espera no cais, comerciantes aguardam com peixe fresco e produtos da horta tradicional. A expansão urbana avança sobre a floresta mantendo a vida no modo ribeirinho.
Mitú viu a população subir de cerca de 4 mil para quase 30 mil nos últimos cinco decênios, puxada por migrantes de regiões vizinhas e porassentamentos de não indígenas ligados a negócios, pesquisas e ONGs. A cidade está além da reserva indígena do Vaupés.
Dados de Global Forest Watch indicam perda de 10 mil hectares de cobertura florestal em Mitú desde 2014, com a derrubada associada principalmente à atividade madeireira ilegal. A população atribui o desmatamento ao crescimento urbano, à agricultura e à mineração ilegal.
Pressões sobre a terra e mineração
Autoridades começaram a desarticular uma operação de mineração ilegal em junho de 2025, em San Juan de Cucura, área indígena sob Mitú. Foram apreendidas máquinas e recursos, com dois detidos por suposta participação em extração e poluição ambiental.
Relatos locais apontam que o incremento populacional e a demanda por produção agrícola ampliam conflitos fundiários. Observatórios apontam que muitos assentamentos se situam em áreas pertencentes a comunidades indígenas, gerando tensões.
Infraestrutura e impactos ambientais
O crescimento da urbanização acelerou a construção da estrada Mitú-Monfort, associada a desmatamento, degradação do solo e conflitos pela terra. Relatórios de SINCHI destacam impactos socioambientais, inclusive na antiga reserva florestal que foi deslistada em 2013.
Profissionais locais afirmam que a presença de gado em áreas inadequadas agrava o uso da terra e prejudica a qualidade do solo. Em Mitú, a gestão de esgoto não atende ao aumento populacional, contribuindo para a poluição da Vaupés e impactos na saúde pública.
Água e saúde
Moradores afirmam que o rio Vaupés está contaminado devido ao lançamento de esgoto sem tratamento. Relatos da comunidade indicam odor desagradável e doenças ligadas à água, agravadas pela capacidade limitada de uma estação de tratamento de águas.
Autoridades de saúde e de meio ambiente não responderam aos pedidos de comentário até a publicação. Organizações locais destacam que a poluição afeta peixes consumidos pela população e o ecossistema ribeirinho.
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