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Michel Foucault celebra 100 anos de nascimento

Centenário de Michel Foucault destaca legado que questiona poder e saber, revela produção social da norma e amplia debates sobre autonomia na modernidade

Estrutura do poder. Nascido em 1926, em Poitiers, Foucault partiu cedo, aos 58 anos, e teve palestras e manuscritos publicados postumamente – Imagem: Michele Bancilhon/AFP
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  • Em 2026 comemora-se o centenário de nascimento de Michel Foucault, nascido em 1926, em Poitiers, França.
  • Suas ideias sobre a relação entre poder, saber e constituição dos sujeitos influenciaram a forma como questionamos universalismos e a razão ocidental.
  • A análise dele mostrou que loucura, sexualidade e punição têm história e que discursos científicos produzem, não apenas descrevem, os indivíduos.
  • Após a morte, em mil novecentos e oitenta e quatro, a publicação de seminários no Collège de France ampliou a compreensão do pensamento foucaultiano, especialmente sobre neoliberalismo e cuidado de si.
  • Editoras passaram a lançar traduções e reedições de obras como O Que é a Crítica?, com expectativas de chegar a Genealogia da Sexualidade, além de publicações de cursos sobre a genealogia do saber moderno.

Michel Foucault completa 100 anos em 2026, marco que reforça sua influência no pensamento contemporâneo. Nascido em 1926, em Poitiers, França, o filósofo é lembrado pela abordagem que ligou poder, saber e prática social.

Ao longo de sua obra, Foucault mostrou como discursos científicos produzem sujeitos e normas, não apenas descrevem a realidade. Suas análises abrangeram loucura, sexualidade, punição, instituições e linguagem, provocando revisões sobre a validade de verdades universalistas.

Sua trajetória incluiu uma crítica à filosofia como fim em si mesma e uma aposta por objetos de estudo antes considerados marginalizados, como asilos, prisões e manuais de vida sexual. Ele buscou compreender a produção de saberes e saberes de produção.

O que mudou na leitura de Foucault

A morte, em 1984, não encerrou o debate. Obras póstumas reorganizaram o pensamento, com seminários do Collège de France ganhando novo fôlego para entender neoliberalismo, cuidado de si e emancipação. Diversas traduções ampliaram o alcance de seu arquivo.

O que era visto como crítica antimoderna passou a ser lido como uma exigência de autonomia frente a formas de autoridade. Textos recentes, como O Que É a Crítica?, sobressaltam a ideia de crítica como artifício para não ser governado.

Novas traduções e repertório

A edição de O Que É a Crítica? pela Ubu traz dois textos centrais: uma conferência de 1978 e outra de 1983, ambas sobre a cultura de si. A obra já plantea implicações para a leitura de Kant, Reforma e Esclarecimento.

Entre os lançamentos esperados, está a tradução de Genealogia da Sexualidade, que examina a genealogia do saber moderno sobre a sexualidade. Outras obras de seminários de SP e de 1965 também devem chegar aos leitores brasileiros.

Publicado na edição n° 1397 de CartaCapital, em 28 de janeiro de 2026. Este texto compõe a seção sobre Michel Foucault faz 100 anos. Fontes: CartaCapital.

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