- O Cinema Olympia, em Belém (Pará), completa 114 anos em 2026 e permanece o cinema mais antigo do Brasil em funcionamento.
- Inaugurado em 1912, o Olympia manteve programação cultural quase contínua, exceto por reformas e a Covid-19.
- Fundado por Carlos Teixeira e Antônio Martins, o cinema integrou o triângulo cultural da cidade com o Teatro da Paz e o Grande Hotel.
- Em 2006 houve risco de fechamento, mas o cinema foi tombado e passou a ser gerido pelo Estado, com projetos de democratização da cultura.
- Obras de restauração começaram em 2023 para reparar o telhado e devem finalizar em março de 2026, com previsão de reabertura ao público no meio do ano.
O cinema Olympia, em Belém (PA), completa 114 anos em 2026. Inaugurado em 1912, ele segue como o cinema mais antigo do Brasil ainda em funcionamento, mantendo uma programação cultural quase ininterrupta por mais de um século, com apenas breves pausas para reformas e durante a pandemia.
O Olympia nasceu durante a Belle Époque na Amazônia, viseu a expansão da cultura paraense na Praça da República, onde também fica o Teatro da Paz. Foi fundado em 24 de abril de 1912 por Carlos Teixeira e Antônio Martins, empresários do Grande Hotel.
Entre 1912 e 1930, o cinema exibiu filmes mudos com acompanhamento musical ao vivo e contava com 400 poltronas e 10 ventiladores. Os rolos vinham da Europa e chegavam a Belém por navio, antes de seguir ao restante do Brasil.
A história do Olympia envolve mudanças de mãos e de fachadas. Em 1930, a sala foi vendida ao banqueiro Adalberto Marques, no mesmo ano em que ocorreu o primeiro filme falado no cinema. Em 1946, o Olympia passou ao grupo de Luiz Severiano Ribeiro, que mais tarde originou a Kinoplex, permanecendo sob tutela por 60 anos.
Nos anos 1940 e 1960, houve reformulações de fachada, com marquise e ajustes no interior e nos sistemas de ar condicionado. O cinema também assistiu a mudanças urbanas que influenciaram o entorno cultural da região.
O temor de fechamento voltou em 2006, quando surgiram propostas de venda do prédio a entidades diversas. A cidade reagiu, artistas e autoridades mobilizaram-se e, em fevereiro, o prefeito anunciou que o Olympia passaria a ser patrimônio cultural do Pará, assumido pelo Estado.
Desde então, o Olympia é tombado como patrimônio e passou a integrar ações de democratização cultural, levando cinema a escolas públicas e comunidades ribeirinhas. A gestão estadual ajudou a manter a sala.
Em 2020, a pandemia interrompeu atividades culturais, incluindo o Olympia. Um problema estrutural no telhado impediu a reabertura. A Prefeitura de Belém iniciou então um processo de restauração completo, com intervenções na estrutura e no acervo.
As obras começaram em 2023 e devem se estender até março de 2026, com previsão de entrega do edifício. A partir daí, os planos apontam para a reabertura da sala ao público no segundo semestre de 2026.
Ressurgimento e futuro
A restauração visa preservar a memória histórica do Olympia como referência cultural local. O prédio permanece tombado e protegido, mantendo a identidade de cinema ativo na cidade. As obras exibem avanços no hall, nas salas e na infraestrutura técnica.
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