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Críticas à Vale aumentam diante de controvérsias recentes

Sete anos após Brumadinho, Vale veicula propaganda na TV enquanto lama volta a avançar em Minas, atingindo áreas e provocando críticas públicas

A tragédia em Brumadinho. Foto: Ricardo Stuckert
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  • No dia 25 de janeiro, sete anos após Brumadinho, a Vale veiculou uma propaganda na TV durante o jogo Atlético x Cruzeiro, apresentando imagens de solidariedade e sustentabilidade.
  • Horas antes, a empresa informou extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, entre Ouro Preto e Congonhas, atingindo área da CSN e sem consequências para pessoas.
  • Cerca de 200 funcionários foram retirados às pressas; mais de 200 mil m³ de água vazaram, atingindo o córrego Goiabeiras, ligado à bacia do rio Maranhão.
  • Estudo do Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens estimou que rejeitos de Brumadinho se espalharam por 2.442 hectares após cheias em 2020 e 2022, enquanto a Vale afirmou que o rio já era contaminado antes do rompimento.
  • A Vale teve forte presença de marketing na COP30 e em ações de divulgação, em contraste com relatos de impactos ambientais e de saúde em comunidades próximas às áreas de mineração.

Ao completar sete anos do desastre de Brumadinho, a Vale enfrentou novas controvérsias. No domingo, 25 de janeiro, durante partida entre Atlético e Cruzeiro, a TV Globo transmitiu uma propaganda da empresa. A peça mostrou trabalhadores sorrindo e imagens de sustentabilidade.

Horas antes, a Vale informava sobre mais uma falha na Mina de Fábrica, entre Ouro Preto e Congonhas. Em nota, a empresa chamou o episódio de extravasamento de água com sedimentos de uma cava, alegando que o material atingiu áreas da CSN e que não houve impacto em pessoas.

O incidente ocorreu na mesma data em que, em 2019, uma barragem rompeu em Brumadinho, na mina Córrego do Feijão, resultando em 272 mortos. A referência é usada para contextualizar o histórico de violência ambiental na região mineira.

Segundo a Vale, o extravasamento envolveu água com sedimentos que atingiu a área administrativa da CSN, provocando alagamentos em almoxarifado, acessos, oficinas e área de embarque. Aproximadamente 200 funcionários foram retirados do local.

Mais de 200 mil metros cúbicos de água vazaram, o que equivaleria a 80 piscinas olímpicas. O fluxo atingiu o córrego Goiabeiras, ligado à bacia do rio Maranhão, conforme informou o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido.

A narrativa da Vale gerou questionamentos sobre a percepção de responsabilidade ambiental, destacando que o episódio ocorreu antes de mudanças significativas na área de Fábrica, com impactos restritos a infraestrutura interna da empresa.

Sete anos após Brumadinho, o Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) estimou, por imagens de satélite, que rejeitos do rompimento de 2019 se espalharam por 2.442 hectares após cheias em 2020 e 2022. A lama voltou a avançar para margens e áreas habitadas.

A Vale disse, à Folha de S. Paulo, que o rio já apresentava contaminação antes do rompimento e classificou o rejeito como inerte e atóxico. A empresa afirmou que não encontrou similaridade com os rejeitos do desastre em análises posteriores.

No Pará, o Ministério Público Federal aponta assinatura química associada à Vale em contaminação por metais pesados que afeta o povo Xikrin do Cateté, em área ligada ao empreendimento Onça Puma. A COP30, em Belém, discutiu o tema com procuradores e lideranças locais.

O MPF descreve efeitos na saúde indígena, com relatos de malformações fetais, doenças neurológicas e dermatites após contato com a água. A ação civil pública busca responsabilizar a Vale pelo custeio de tratamento de saúde e limpeza da bacia.

A Vale nega relação entre suas operações e a contaminação do Cateté, citando estudos independentes que não ligam a empresa às contaminações. A companhia ressaltou monitoramento da água ao redor dos empreendimentos e a atuação de garimpo ilegal na região.

Durante a COP30, a Vale manteve presença intensa na cidade, com publicidade em pontos públicos e no transporte. Em diálogo com o público, a empresa reforçou seu posicionamento institucional, sem atribuir responsabilidades diretas aos eventos locais.

O episódio de 25 de janeiro acende nova discussão sobre a atuação de grandes mineradoras na região. A relação entre imagem corporativa, responsabilidade ambiental e atendimento à população permanece em pauta.

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