- Bard Graduate Center, em Nova York, inaugura a primeira grande mostra nos EUA sobre Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto francês do século XIX.
- A exposição reúne mais de 150 desenhos para revelar o processo criativo e os métodos de trabalho do polímata, com material da Médiathèque du patrimoine et de la photographie.
- A mostra acompanha cinco décadas de produção, desde esboços de juventude até estudos sobre arquitetura medieval e, no fim, visão de uma possível Idade do Gelo em paisagens alpinas.
- Viollet-le-Duc é creditado por renovar Notre-Dame na década de 1850, incluindo a criação de uma torre de madeira imponente; a restauração atual da catedral foi reconstitucional após o incêndio de 2019.
- A exposição também aborda aspectos controversos de seu pensamento e destaca sua relação com a ideia de preservar o passado como ato criativo, além de incluir o mobiliário de trabalho do arquiteto.
A nova mostra no Bard Graduate Center, em Nova York, estreia neste mês e oferece a primeira retrospectiva abrangente nos EUA sobre Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto francês do século XIX. A exposição reúne mais de 150 desenhos que revelam o amplo alcance do artista, que atuou como restaurador, teórico e desenhista prolífico.
O curador Martin Bressani, da McGill University, e o co-curador Barry Bergdoll, da Columbia University, organizam a mostra com base em acervos da Médiathèque du patrimoine et de la photographie. O projeto utiliza índices de arquivo franceses para mapear cinco décadas de produção de Viollet-le-Duc, desde seus desenhos juvenis até propostas tardias sobre a arquitetura medieval.
A curadoria destaca a relação entre restauração e invenção presente na obra do arquiteto, sobretudo na reinterpretação da Notre-Dame de Paris na década de 1850. O spire que ele concebeu é apresentado como uma visão idealizada do passado, não apenas uma replica fiel. A exposição também contextualiza a importância de Viollet-le-Duc para arquitetos posteriores, incluindo Frank Lloyd Wright.
O evento ocorre em meio ao restauro recente da Notre-Dame, concluído no ano passado, após o incêndio de 2019. Segundo os organizadores, a mostra aproveita esse momento para reexaminar a forma como preservação e história são entendidas na prática arquitetônica.
Entre os destaques, a mostra exibe desenhos que cartografam a relação entre o medievalismo e uma visão que antecipa o modernismo técnico. Também aparecem peças que mostram a atuação de Viollet-le-Duc em Carcassonne, além de estudos sobre o teatro grego de Taormina, na Sicília, restaurado no imaginário do arquiteto.
A exposição revela ainda um aspecto pouco conhecido: o interesse de Viollet-le-Duc por temas científicos e até por teorias raciais de seus contemporâneos, bem como esboços de suas armas e estratégias militares representados em desenhos precisos. A montagem inclui, como elemento de curiosidade, o seu desk feito sob medida, usado em seus trabalhos.
Viollet-le-Duc: Drawing Worlds fica em cartaz de 28 de janeiro a 24 de maio no Bard Graduate Center, em Nova York. A mostra propõe uma leitura de sua produção que dialoga com a maneira como hoje pensamos a conservação de edifícios históricos e a relação entre passado e presente.
Entre na conversa da comunidade