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Show analisa legado do arquiteto polímata que restaurou a Notre-Dame

Exposição em Nova York destaca o legado de Eugène Viollet-le-Duc, restaurador de Notre-Dame e influenciador da visão moderna de preservação arquitetônica

Viollet-le-Duc’s 1843 competition drawing for the restoration of Notre-Dame de Paris
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  • Bard Graduate Center, em Nova York, inaugura a primeira grande mostra nos EUA sobre Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto francês do século XIX.
  • A exposição reúne mais de 150 desenhos para revelar o processo criativo e os métodos de trabalho do polímata, com material da Médiathèque du patrimoine et de la photographie.
  • A mostra acompanha cinco décadas de produção, desde esboços de juventude até estudos sobre arquitetura medieval e, no fim, visão de uma possível Idade do Gelo em paisagens alpinas.
  • Viollet-le-Duc é creditado por renovar Notre-Dame na década de 1850, incluindo a criação de uma torre de madeira imponente; a restauração atual da catedral foi reconstitucional após o incêndio de 2019.
  • A exposição também aborda aspectos controversos de seu pensamento e destaca sua relação com a ideia de preservar o passado como ato criativo, além de incluir o mobiliário de trabalho do arquiteto.

A nova mostra no Bard Graduate Center, em Nova York, estreia neste mês e oferece a primeira retrospectiva abrangente nos EUA sobre Eugène Viollet-le-Duc, arquiteto francês do século XIX. A exposição reúne mais de 150 desenhos que revelam o amplo alcance do artista, que atuou como restaurador, teórico e desenhista prolífico.

O curador Martin Bressani, da McGill University, e o co-curador Barry Bergdoll, da Columbia University, organizam a mostra com base em acervos da Médiathèque du patrimoine et de la photographie. O projeto utiliza índices de arquivo franceses para mapear cinco décadas de produção de Viollet-le-Duc, desde seus desenhos juvenis até propostas tardias sobre a arquitetura medieval.

A curadoria destaca a relação entre restauração e invenção presente na obra do arquiteto, sobretudo na reinterpretação da Notre-Dame de Paris na década de 1850. O spire que ele concebeu é apresentado como uma visão idealizada do passado, não apenas uma replica fiel. A exposição também contextualiza a importância de Viollet-le-Duc para arquitetos posteriores, incluindo Frank Lloyd Wright.

O evento ocorre em meio ao restauro recente da Notre-Dame, concluído no ano passado, após o incêndio de 2019. Segundo os organizadores, a mostra aproveita esse momento para reexaminar a forma como preservação e história são entendidas na prática arquitetônica.

Entre os destaques, a mostra exibe desenhos que cartografam a relação entre o medievalismo e uma visão que antecipa o modernismo técnico. Também aparecem peças que mostram a atuação de Viollet-le-Duc em Carcassonne, além de estudos sobre o teatro grego de Taormina, na Sicília, restaurado no imaginário do arquiteto.

A exposição revela ainda um aspecto pouco conhecido: o interesse de Viollet-le-Duc por temas científicos e até por teorias raciais de seus contemporâneos, bem como esboços de suas armas e estratégias militares representados em desenhos precisos. A montagem inclui, como elemento de curiosidade, o seu desk feito sob medida, usado em seus trabalhos.

Viollet-le-Duc: Drawing Worlds fica em cartaz de 28 de janeiro a 24 de maio no Bard Graduate Center, em Nova York. A mostra propõe uma leitura de sua produção que dialoga com a maneira como hoje pensamos a conservação de edifícios históricos e a relação entre passado e presente.

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