- Lynda Nead apresenta o livro British Blonde, que analisa a cultura britânica do pós‑guerra through a imagem da “Britânica loira”, conectando sexo, classe e ambição social.
- O estudo parte da capa de 1967 de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band para mostrar a passagem do glamour americano para a Grã-Bretanha, destacando Mae West, Marilyn Monroe e a primeira loira britânica, Diana Dors.
- Diana Dors é apresentada como Marilyn britânica, e sua imagem de mulher glamourosa, porém ligada a controvérsias, acabou afetando sua carreira e gerou debates sobre respeito e sexualidade.
- Ruth Ellis, considerada uma femme fatale, foi a última mulher executada na Inglaterra em 1955; jornalista de clubes noturnos e modelo, sua figura gerou controvérsia moral diante de sua violência.
- Barbara Windsor é lembrada pelos filmes Carry On, explorando duplo sentido e humor sexual; Pauline Boty representa a “Sixties Blonde”, desafiando fantasias de feminilidade com obras como The Only Blonde in the World (1963) e visões sobre desejo e raça; a era é reinterpretada no contexto do feminismo dos anos sessenta.
Lynda Nead, professora de história da arte, apresenta British Blonde: Women, Desire and the Image in Post-War Britain, em Paul Mellon Centre. O estudo analisa a cultura britânica após 1945 via o símbolo da “British Blonde”.
A autora conecta a mudança de atitudes sobre a feminilidade ao papel da loirice como elemento comercial da imagem pública. O livro utiliza casos de mulheres emblemáticas para mapear classe, ambição social e desejo nos anos 1950 e 1960.
O trabalho parte de uma seleção de figuras centrais para entender o período pós-guerra e as transformações culturais impulsionadas pela estética da loirice. A obra também questiona como os estilos visuais moldaram identidades e sonhos.
As quatro figuras centrais
Diana Dors, Ruth Ellis, Barbara Windsor e Pauline Boty aparecem como âncoras para a análise. A trajetória de cada uma revela tensões entre glamour, respeito social e comportamentos considerados ambíguos.
Dors, estrela durante a Crise de Suez de 1956, passou a ser vista como a Marilyn britânica, associada a forma de sedução e a investimentos duvidosos em finanças. Sua vida refletiu a disputa entre agência feminina e imagem pública.
Ellis chegou a ser a primeira mulher a ser executada em Londres, em 1955, após assassinato. Radiografada como femme fatale, sua Blonde Noir indicou julgamentos morais influentes, além de a violência doméstica da época moldar percepções.
Windsor, famosa pelos filmes Carry On, foi identificada pela dupla de inocência e sexualidade. Seu carisma cômico contrastava com relações pessoais conturbadas, incluindo vínculos com figuras criminosas.
Boty, a chamada Sixties Blonde, desafiou o ideal de perfeição feminina com obras que abordavam desejo e raça. Suas peças e autorretratos expuseram a construção de fantasia de modernidade na era.
Mudanças em curso e desfecho
A autora situou o auge da imagem loira entre o fim dos anos 1960 e início dos 1970, quando o feminismo e o movimento de libertação feminina passaram a estruturar a compreensão sobre mulher, desejo e imagem.
O estudo destaca o impacto de imigração, descolonização e transformações sociais no conceito de beleza. A partir desse contexto, a Blonde britânica ganhou autonomia e passou a se expressar de forma mais contundente.
British Blonde encerra ao enfatizar como o segundo movimento feminista ofereceu uma moldura para entender o papel da mulher na cultura britânica. A obra aponta uma ruptura com padrões antigos e celebra a autonomia feminina.
- Lynda Nead, British Blonde: Women, Desire and the Image in Post-War Britain, Paul Mellon Centre, 240 páginas, 143 ilustrações, £30, lançamento 9 de setembro de 2025.
- Beth Williamson é historiadora da arte e, em fevereiro de 2026, lançará A Cultural Biography of William Johnstone: The Making of British Modern Art, pela Edinburgh University Press.
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