- Brasil resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em 2025, alta de 26,8% em relação a 2024.
- Ao longo do ano foram realizadas 1.594 ações fiscais, assegurando mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias e 41,8 milhões em multas.
- As fiscalizações chegaram a mais de 48 mil trabalhadores, com 4.924 autos de infração registrados.
- Pela primeira vez, a maioria dos resgatados esteve no meio urbano (68%), ante 30% em 2024.
- Os setores com mais trabalhadores resgatados foram obras de alvenaria, administração pública, construção de edifícios, cultivo de café e extração de pedras para construção.
O governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil em 2025. Os números são da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e foram divulgados nesta quarta-feira.
Ao longo do ano, foram realizadas 1.594 ações fiscais contra o trabalho escravo contemporâneo em todo o país. Essas operações garantiram mais de 9 milhões de reais em verbas rescisórias para trabalhadores resgatados.
As fiscalizações alcançaram mais de 48 mil trabalhadores, com 4.924 autos de infração e multas estimadas em 41,8 milhões de reais.
Mudança no perfil das ocorrências
Pela primeira vez, o maior contingente de resgatados ficou em área urbana, respondendo por 68% dos casos. Em 2024, esse índice era de 30%.
Setores com mais trabalhadores resgatados
Segundo a CNAE, os maiores contingentes em 2025 ocorreram em obras de alvenaria (601), administração pública (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração de pedras (126).
Panorama geográfico e social
Os estados com mais fiscalizações foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás. Em número de resgatados, Mato Grosso lidera (607), seguido pela Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).
Entre os resgatados, a maioria era masculina (86%). A faixa etária mais comum foi 30 a 39 anos (26%). Do total, 65% residiam na região Nordeste. Quanto à autodeclaração racial, 83% eram pretos ou pardos.
Obstáculos e irregularidades comuns
As infrações mais frequentes incluíram trabalho em condições degradantes (274 registros) e ausência de registro formal (149). Também houve irregularidades relacionadas à segurança, exames médicos ocupacionais e falta de EPIs.
Assistência e continuidade
Todos os trabalhadores resgatados têm direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, pago em três parcelas. Também são encaminhados a redes de assistência social e a políticas públicas conforme o perfil de cada vítima.
Observação sobre denúncias
Em 2025, o Brasil registrou um recorde de denúncias de trabalho escravo, totalizando 4.515 ocorrências. As denúncias entraram no foco de atuação de diferentes órgãos, com apoio de equipes federais e estaduais.
Contexto institucional
A SIT lidera as ações, com apoio de ministérios, do Ministério Público do Trabalho, da Defensoria Pública da União e de órgãos de segurança. O objetivo é erradicar o trabalho análogo à escravidão por meio de fiscalização, resgate e acesso a direitos.
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