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ANP aponta falhas em série e tanque ‘invisível’ em cálculos de incêndio

ANP identifica falhas graves no cálculo de segurança da Refit; tanque invisível eleva risco de incêndio, exigindo 40% a mais de água e sobrecarregando brigadistas

Investigação aponta que Grupo Refit sonega de maneira recorrente e intencional e tem R$ 26 bilhões em impostos atrasados — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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  • A interdição total da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, foi decretada nesta quinta-feira (29) por indicar cenário de risco grave e iminente em relatórios da ANP.
  • A fiscalização identificou um tanque de grande porte, o F-201B, com 22 milhões de litros de nafta e petróleo, que foi desconsiderado no cálculo do Sistema Fixo de Combate a Incêndio.
  • Ao incluir esse tanque “invisível”, a capacidade de água do sistema de combate a incêndio mostraria déficit de cerca de 40% para apagar um incêndio no F-201B (832 milímetros cúbicos por hora necessários contra 516 milímetros cúbicos por hora disponíveis).
  • A avaliação aponta que o plano de emergência acionado hoje enviaria 19 brigadistas para uma área com radiação térmica de 18,1 kW/m², acima do limite de segurança de 9,46 kW/m².
  • A ANP classifica o cenário como inaceitável para a vida humana e ressalta falhas nas barreiras de segurança que, em conjunto, podem levar a um acidente grave. A Refit não respondeu até o momento.

AANP aponta falhas em série e identifica tanque invisível nos cálculos de incêndio na Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A interdição total ocorrida em 29 de janeiro expõe risco grave e iminente, segundo relatórios técnicos a que o blog teve acesso.

Os documentos utilizam a metáfora da “Teoria do Queijo Suíço” para descrever como falhas de projeto, manutenção e cultura organizacional podem se alinhar, abrindo caminho para um acidente grave. Falhas nas barreiras são listadas como fragilidades de diversos tipos.

Falhas no sistema e risco estimado

Entre as irregularidades, destaca-se a omissão de um tanque de grande porte do sistema de segurança. O tanque F-201B, com capacidade para 22 milhões de litros de nafta e petróleo, não constava no cálculo do SFCI.

Ao recontar as contas incluindo esse tanque, a ANP identificou déficit na resposta a incêndio. A água necessária para apagar o fogo do tanque chegaria a 832 milímetros cúbicos por hora, ante apenas 516 milímetros cúbicos disponibilizados pelo sistema.

Essa diferença representa quase 40% de insuficiência hídrica para conter o fogo no tanque caso haja incêndio. A avaliação indica vulnerabilidade significativa da infraestrutura de combate a incêndio da refinaria.

Implicações operacionais e proteção de equipes

O relatório alerta que, se o plano de emergência fosse acionado hoje, 19 brigadistas seriam enviados a uma posição considerada insustentável. A radiação térmica prevista na área atingiria 18,1 kW/m², muito acima do limite de proteção de 9,46 kW/m².

Essa condição é classificada pela ANP como inaceitável para a vida humana, elevando o risco para equipes de combate a incêndio. A reportagem tentou contato com a Refit, sem resposta até o momento.

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