- Divers off a Florida coast encontraram mais de mil moedas de prata e cinco moedas de ouro, avaliadas em $1 milhão, da frota de 1715; também foi recuperado um selo real de chumbo.
- As peças foram encontradas a cerca de cem milhas ao norte de Miami, na região conhecida como Treasure Coast, onde 11 navios afundaram em 1715 com carregamento de ouro, prata e joias estimado em $400 milhões.
- A empresa de salvamento 1715 Fleet-Queens Jewels tem direitos exclusivos sobre os restos da frota; a descoberta reacende o debate entre caçadores de tesouros e arqueólogos subaquáticos, com a lei estadual prevendo 20% do valor para o estado.
- A controvérsia se cruza com a proteção do patrimônio subaquático: muitos países defendem preservação in situ, enquanto o governo dos Estados Unidos não assinou a Convenção da Unesco de 2001 sobre patrimônio cultural subaquático.
- A equipe afirma que continuará as buscas e pretende documentar detalhadamente as moedas recém-encontradas; historiadores, porém, destacam que a exploração comercial pode comprometer o patrimônio histórico.
Diversos mergulhadores identificaram na costa da Flórida, cerca de 160 km ao norte de Miami, mais de 1.000 moedas espanholas do final do século XVII e início do XVIII, avaliadas em 1 milhão de dólares. O achado ocorre em área conhecida como Treasure Coast, que abriga o carregamento do flotador espanhol que naufragou em 1715. A descoberta representa o mais significativo desde os anos 1990.
A empresa responsável pela operação é a 1715 Fleet-Queens Jewels, com direitos exclusivos de resgate sobre os destroços da frota de 1715. Em 2024, mergulhadores da empresa encontraram 1.051 moedas de prata e cinco de ouro, além de artefatos como um selo real de chumbo. Companhia também coordena equipe multidisciplinar para o registro e conservação.
Contexto histórico e legal
A frota de 1715 partiu de Havana após o início da Guerra da Sucessão Espanhola e enfrentou um furacão que devastou parte da frota no dia 31 de julho de 1715. O carregamento combinava moedas produzidas nas colônias espanholas com outros itens de valor, incluindo tabaco. Ao menos 1.000 pessoas morreram durante o naufrágio.
Economia e legislação convergem no debate sobre exploração de patrimônios submersos. A lei da Flórida reserva 20% do valor encontrado para o estado, enquanto a empresa fica com o restante. A gestão do local é acompanhada pelo estado, que exibe peças do naufrágio no Museum of Florida History.
Controvérsias e divergências
Especialistas destacam o contraste entre salvamento comercial e preservação arqueológica. O modelo de atuação de empresas privadas contrasta com normas internacionais que valorizam a preservação in situ. O tema envolve tratados como a Convenção de 2001 da Unesco, que muitos países apoiam, porém os EUA não aderiram.
Entre estudiosos, surgem críticas à mercantilização do patrimônio submerso. Questões sobre documentação, registro público das descobertas e preservação de evidências históricas são apontadas como centrais para o debate.
Perspectivas atuais e próximos passos
A 1715 Fleet-Queens Jewels afirma seguir procedimentos de documentação detalhada com equipe técnica e laboratórios aprovados pelo estado. A empresa destaca que o objetivo é entender a composição dos embarques e oferecer dados sobre moedas coloniais espanholas. O grupo pretende retomar as buscas já em maio.
Historiadores, por outro lado, enfatizam a necessidade de ampliar a pesquisa acadêmica e o registro público das descobertas, para além de interesses comerciais. A disputa entre salvamento privado e preservação histórica continua sem uma solução consolidada.
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