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Corretores australianos usam apps que expõem milhões de contratos de locação

Análise aponta que plataformas de aluguel na Austrália deixam milhões de documentos de inquilinos expostos via hyperlinks acessíveis sem autenticação

Renters’ and landlords’ documents could be accessed by cyber criminals via digital platforms used by real estate agents, a researcher has found.
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  • Plataformas australianas usadas por corretores para aluguel permitem acesso a milhões de documentos de locação por hyperlinks sem exigir login, deixando dados pessoais expostos na web.
  • Análise de sete plataformas, fornecida ao Guardian Australia, mostra que links podem ser escaneados por mecanismos de busca e cacheados; documentos remontam a 2017 e chegam a 4 milhões de códigos de convite.
  • Em alguns casos, basta adicionar ou subtrair números na URL ou usar encurtadores para acessar contratos, referências e histórico de aluguel sem autenticação.
  • Inspeção Express afirmou ter revisado a segurança dos links e implementado melhorias, como links com expiração após certo número de acessos ou tempo, e medidas para restringir compartilhamento; outras empresas não responderam.
  • A ativista digital Samantha Floreani critica a negligência com privacidade e segurança; o Office of the Australian Information Commissioner (OAIC) disse não ter sido notificado sobre violações e aponta que rent tech é prioridade de avaliação institucional.

Os dados de aluguel de plataformas usadas por corretores na Austrália ficaram expostos em hyperlinks acessíveis online, aponta uma análise de sete serviços de aluguel. Informações de locatários e proprietários, incluindo contratos, documentos de identificação, holerites e referências, estavam disponíveis sem exigir login.

A pesquisa, conduzida por um pesquisador digital anônimo, mostrou que os links podem ser rastreados por motores de busca e armazenados em cache. Casos do Guardian Australia revelaram contratos de aluguel, referências e outros documentos acessíveis publicamente por meio de URLs com caracteres aleatórios.

Segundo o estudo, o funcionamento das plataformas facilita o acesso apenas pela manipulação de números na URL enviada a potenciais inquilinos. Documentos remontam a 2017, com o código de convite inicial identificado como 1 e chegar a milhões de cópias acessíveis.

Medidas de segurança e respostas das plataformas

Uma das plataformas identificadas, a Inspection Express, afirmou ter revisado a forma como links de documentos são acessados e compartilhados. Disse ter aprimorado a segurança neste mês após receber a notificação no ano anterior. A empresa afirma que os documentos não ficam disponíveis publicamente na web e que o acesso ocorre apenas por links controlados.

Outra plataforma adicionou uma barreira que exige o código postal do usuário para abrir o documento. Em relação a várias empresas, diversas delas não responderam aos pedidos de comentário enviadados pela pesquisa.

A advogada Samantha Floreani, crítica de direitos digitais, descreveu as descobertas como uma falha grave de privacidade e segurança. Ela ressaltou que muitas companhias não tomaram medidas meses depois de serem avisadas e acusou a prática de favorecer intermediários que acumulam dados de inquilinos e proprietários.

Floreani também observou que locatários costumam ter pouca margem para recusar o uso dessas plataformas, pois negar pode resultar em referências negativas ou perder o acesso a moradias. Ela aponta que a dependência dessas ferramentas amplia o risco de exposição de informações sensíveis.

Contexto regulatório e próximos passos

O Escritório do Comissário Australiano de Informação (OAIC) informou que não recebeu notificações formais de vazamentos por parte das plataformas. A unidade reiterou que há prioridade crescente para a fiscalização de plataformas de aluguel e o uso de dados pessoais no setor.

O OAIC mencionou que o setor é marcado por assimetrias de poder e informações entre locadores, agentes e locatários, o que tende a exigir maior escrutínio regulatório. A autoridade afirmou que está avaliando as licenças e práticas de compartilhamento de dados dessas plataformas.

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