- O Conselho do Art Gallery of Ontario, em Toronto, votou, por 11 a 9, contra a aquisição da obra Stendhal Syndrome, de Nan Goldin, em meio a acusações de antisemitismo.
- Judy Schulich, conselheira que liderou a decisão, é doadora relevante da AGO e executiva da Schulich Foundation; representantes dela não comentaram.
- Após o episódio, o museu anunciarou a divisão do comitê de curadoria contemporânea/modernista em duas comissões, muitos pedidos de renúncia e ações para melhorar a governança.
- Uma carta aberta, com 540 assinaturas até 1º de fevereiro, incluindo Goldin, exige transparência, independência curatorial e a queda de Schulich; o texto critica o uso de poder de doadores para censurar artistas.
- O Brasil não houve; a decorrência envolve a AGO, a comunidade judaica e outras instituições de Toronto, com críticas à governança do museu e aos procedimentos de decisão.
O Art Gallery of Ontario (AGO), em Toronto, encerrou a compra de uma obra de Nan Goldin após acusações de antisemitismo feitas contra a fotógrafa. A decisão ocorreu no âmbito do comitê de curadoria contemporânea, que votou contra a aquisição de Stendhal Syndrome (2024).
A votação, de 11 a 9, levou o AGO a deixar de firmar o acordo com a Vancouver Art Gallery e o Walker Art Center. O museu já possuía três obras de Goldin em seu acervo. O voto também provocou demissões internas, com o curador de arte moderna e contemporânea, John Zeppetelli, já tendo se desligado no ano passado, além de dois voluntários do comitê.
Em resposta ao episódio, o AGO anunciou mudanças na governança: o comitê moderno e contemporâneo será dividido em dois, com foco distinto em arte do século XX e do século XXI, ainda para ocorrer em 2026. A instituição também estuda aprimorar a estrutura de comitês e aumentar a transparência.
Um abaixo-assinado publico ganhou força, reunindo 540 assinaturas até 1º de fevereiro, incluindo Nan Goldin. O movimento cobra mais transparência e independência curatorial no AGO e exige a saída da trustee Judy Schulich, apontada como catalisadora da oposição à aquisição.
O caso ganhou contornos nacionais, com cobranças de responsabilidade sobre a influência de doadores na tomada de decisão curatorial. A diretoria, liderada pelo diretor-executivo Stephan Jost, ressaltou que o AGO é um museu público e que o pluralismo deve ser respeitado, mesmo diante de pressões externas.
Contexto adicional aponta que a controvérsia envolve episódios anteriores de governança no AGO, incluindo mudanças de quadro e debates sobre liberdade artística. A instituição afirma manter o foco na missão institucional e no diálogo respeitoso entre artistas, curadoria e público.
As informações foram veiculadas pelo The Art Newspaper e pelo Globe and Mail, que acompanharam a revelação da votação e as consequências para a gestão do AGO. O caso segue em pauta, com desdobramentos esperados sobre a reforma da estrutura de governança.
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