- Paul Dacre, ex-editor do Daily Mail, afirmou em tribunal que as acusações de que jornalistas teriam usado táticas criminosas para visar Doreen Lawrence o deixaram “ferido” e incrivelmente indignado.
- As denúncias, feitas por Doreen Lawrence e mais seis reclamantes, incluem supostas gravações, interceptações telefônicas, hacking e obtenção de documentos por meio de “blagging”.
- Além de Lawrence, os reclamantes incluem o príncipe Harry, Elton John e Sadie Frost, Elizabeth Hurley e outros; a empresa Associated Newspapers Ltd. nega todas as alegações.
- Dacre relatou que o Daily Mail manteve uma campanha de anos para levar os responsáveis pelo assassinato de Stephen Lawrence à justiça e afirmou que as acusações são inconcebíveis.
- O tribunal informou que houve pagamentos a investigadores privados somando mais de 3 milhões de libras; o escritório de Straw enviou a Dacre informações sobre uma possível investigação pública. A empresа afirmou que as histórias foram obtidas de forma legítima e que o uso de “agentes de inquérito” foi suspenso em dois mil e sete.
- O julgamento continua.
Paul Dacre, ex-editor do Daily Mail, afirmou em tribunal de alta corte que as alegações de que jornalistas do jornal usaram táticas criminosas para mirar a mãe de Stephen Lawrence são “duras” e de alcance pessoal. Em depoimento, descreveu as acusações como graves, algumas sem fundamento, e disse sentir-se especialmente surpreendido diante das acusações feitas por Doreen Lawrence e outras sete pessoas.
O empresário Associated Newspapers Ltd ANL, responsável pelo Daily Mail e Mail on Sunday, nega de modo veemente todas as acusações de obtenção de informações sem autorização, incluindo escuta, hackeamento e blagging de documentos. O grupo de requerentes também inclui figuras públicas como Prince Harry, Elton John e Elizabeth Hurley, entre outros.
Dacre defendeu a campanha histórica do jornal pela justiça no caso Stephen Lawrence, iniciada há décadas, e afirmou que as acusações foram particularmente dolorosas para ele pessoalmente. O ex-editor relatou que o jornal manteve a linha de investigação mesmo diante de controvérsias.
Contexto do depoimento
Durante a audiência, o advogado dos requerentes mostrou documentos que supostamente indicam pagamentos a investigadores privados, incluindo Steve Whittamore, com valores que superam 3 milhões de libras. A defesa contestou a interpretação dos gastos e destacou que a maioria das buscas visava obter endereços e telefones, dentro do que a lei permite no interesse público.
Dacre afirmou que, após evidências sobre o uso de investigadores, ordenou a interrupção do uso de tais “agentes de investigação” em 2007, buscando manter a proporcionalidade entre a prática jornalística e o que é juridicamente aceitável. Ele sustentou ainda que o Information Commissioner não encontrou provas de atividades ilegais por parte de seus jornalistas.
O depoimento também ressaltou a relação entre Dacre e um ex-ministro do Interior, Jack Straw, que, segundo o informante, comunicou ao editor a criação de uma comissão pública sobre o assassinato de Stephen Lawrence. A revelação teria sido feita durante uma reunião entre os dois, em 1997, em tom cordial.
Desdobramentos do caso
Ao longo do julgamento, o time de defesa de ANL afirmou que as histórias citadas pelos requerentes teriam sido obtidas de forma legítima por meio de contatos jornalísticos. A defesa indicou que uma parte significativa das informações foi recolhida de fontes dentro da prática jornalística habitual.
Dacre destacou ainda que, ao longo de seus 26 anos como editor, a campanha cobrindo Stephen Lawrence foi uma das mais significativas e que, se surgisse dúvida sobre a proveniência de uma matéria, a hierarquia seria envolvida para avaliá-la com rigor. O processo continua, sem conclusão prevista até o momento.
O tribunal segue com as audiências para esclarecer as alegações de violação de privacidade, uso indevido de informações e outros métodos de obtenção de dados. As partes devem apresentar novas evidências e testemunhos nos próximos dias.
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