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O que aconteceu com a Hollywood brasileira?

Paulínia projetou-se como Hollywood brasileira; hoje o polo cinematográfico é um elefante branco, com teatro fechado e retorno econômico questionado

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  • Paulínia, interior de São Paulo, investiu milhões para criar um polo cinematográfico há cerca de vinte anos, incluindo teatro, estúdios e festivais.
  • O Theatro Municipal de Paulínia foi inaugurado em 2008, com 1.300 lugares, som de alta qualidade e presença de nomes do cinema e da TV.
  • O projeto chegou a ser chamado de Hollywood brasileira, mas o polo ficou praticamente abandonado após a fase inicial de investimento e festivais.
  • Hoje, o teatro está fechado desde a pandemia, com vidros quebrados e estruturas em deterioração; os estúdios da Quanta seguem conservados, mas há dificuldade de atrair produções.
  • O apoio público a cinema local diminuiu ao longo dos anos, com mudanças de gestão e corte de editais; há estudo de caminhos para retomar editais e revitalizar o espaço.

Paulínia, no interior de São Paulo, investiu pesado no início dos anos 2000 para criar um polo cinematográfico. O Theatro Municipal de Paulínia, erguido ao lado da prefeitura, abriu portas em 2008 com shows e estreias de cinema. O projeto tinha como objetivo diversificar a economia em meio ao fim do ciclo do petróleo.

A cidade recebeu estúdios, salas de gravação e um centro de animação. Itens de referência incluíam acústica de ponta, por meio do mesmo escritório da Sala São Paulo, e sistemas de som THX. A iniciativa reuniu festivais, editais de fomento e parcerias público-privadas.

O financiamento vinha de recursos do Fundo Municipal de Cultura, alimentado por impostos municipais. Editais abertas distribuíram milhões de reais para projetos, com contrapartida de gasto local e gravação de cenas na região. A ideia era movimentar a economia criativa.

Em 2011, o segundo festival lotou a cidade. Celebridades do cinema brasileiro compareceram e o polo foi alvo de elogios sobre infraestrutura e potencial de descentralização da produção audiovisual.

No entanto, o sonho enfrentou crise. Em 2012, a gestão mudou e os editais foram suspensos sob alegação de custos altos e prioridade para políticas sociais. O festival não retomou de forma estável. A prefeitura não informou detalhes oficiais sobre o real redirecionamento de verbas.

Hollywood brasileira hoje

Os imóveis do polo, em frente à prefeitura, mostram sinais de abandono. O teatro permanece fechado desde a pandemia, com vidros quebrados, teto Danificado e ferrugem nas pilastras. Aulas de cinema não existem mais e o espaço de animação funcionou como espaço municipal.

Os estúdios, mantidos pela Quanta, estão em condições de uso, segundo a empresa. Contudo, há dificuldade para atrair produções para a cidade e manter a atividade econômica prevista. A prefeitura avalia retomar editais e buscar revitalização do teatro e do sambódromo.

Hoje, o orçamento cultural de Paulínia beneficia principalmente atrações de dança e música, com shows de grande porte no sambódromo, cuja infraestrutura está comprometida. O polo permanece como um retrato do que poderia ter sido uma referência nacional.

O que resta e o caminho

Especialistas apontam a fragilidade de depender de mandatos políticos para o fomento audiovisual. Dispor de políticas estáveis ajudaria a manter projetos como o Paulínia Cinema, de forma contínua. No Brasil, o setor audiovisual movimenta bilhões e gera centenas de milhares de empregos.

O debate sobre incentivar a cultura por meio de fundos e parcerias público-privadas continua. A experiência de Paulínia sugere que manter a infraestrutura existente é um passo, mas é preciso manter incentivos estáveis e atraentes para atrair produções de maior impacto financeiro.

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