- Mark Zuckerberg defendeu o uso de filtros de beleza no Instagram em tribunal, afirmando que a decisão de restabelecer a ferramenta priorizou a livre expressão.
- A Justiça indicou que houve recomendações contrárias de funcionários e de 18 especialistas contratados pela Meta antes do retorno dos filtros em 2019.
- Documentos internos apontam que filtros podem incentivar dismorfia corporal e outros problemas de saúde mental entre jovens.
- Em depoimento, Zuckerberg disse que a empresa não mira apenas lucro e que adotou um “alto padrão” para comprovar danos, classificando restrições como paternalistas e excessivas.
- O caso envolve uma jovem identificada como KGM e pode criar precedente para outros processos; é o primeiro de nove casos semelhantes a passar por júri.
O CEO da Meta defendeu a reintrodução de filtros de beleza no Instagram durante um julgamento em Los Angeles, na quarta-feira, 18. A defesa sustenta que a decisão priorizou a livre expressão, mesmo diante de recomendações contrárias de funcionários e de 18 especialistas.
De acordo com o processo, as ferramentas foram suspensas em 2019 para revisões internas. O Financial Times aponta que todos os especialistas consultados enxergaram risco ao bem-estar de adolescentes. Zuckerberg negou motivações financeiras.
Em depoimento, o executivo afirmou que houve um “alto padrão” para comprovar danos e classificou as restrições como paternalistas e excessivas. A empresa admite riscos, mas mantém posição de que a liberdade de expressão é prioridade.
Documentos internos citados no processo indicam conhecimento da possibilidade de dismorfia corporal e de outras questões de saúde mental entre jovens por filtros de beleza.
Tempo de uso da plataforma também entrou no debate. E-mails de 2013 a 2022 sugeriam meta de aumentar permanência, inclusive entre adolescentes, o que o CEO negou, dizendo que não há mais objetivos internos nesse sentido.
O julgamento também tratou da presença de menores de 13 anos no Instagram. Documento de 2018 estimou 4 milhões de usuários nessa faixa em 2015, representando cerca de 30% de crianças de 10 a 12 anos nos EUA.
Zuckerberg afirmou que a plataforma busca remover perfis de crianças, mas reconheceu a dificuldade de verificar idade real diante de informações falsas. O tema é central para a defesa da Meta.
Contexto legal e impactos
A ação é movida por uma jovem identificada como KGM, de 20 anos, que alega dependência de Instagram e YouTube na infância, com ansiedade e depressão resultantes.
A Meta sustenta que pesquisas sobre redes sociais e dependência apresentam resultados mistos e que outros fatores podem contribuir para os problemas relatados. O caso é o primeiro de nove a ir a júri.
A decisão pode influenciar milhares de processos semelhantes movidos por indivíduos, escolas e autoridades estaduais contra empresas de tecnologia, no marco de debates sobre proteção de menores online.
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