- Documento mostra que decisão de permitir a Alcoa limpar florestas de jarrah no noroeste da Austrália teve apoio, em parte, em acordo de minerais críticos entre Austrália e governo dos EUA.
- Relatório revela que a Alcoa realizava desmatamento para mineração de bauxita há quinze anos, mesmo com avisos do departamento federal do meio ambiente.
- Penalidade de 55 milhões de dólares, anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, cobre apenas o período entre 2019 e 2025, em áreas de habitat de espécies protegidas.
- O ministro justificou a exceção por interesse nacional para manter a confiança entre países e sustentar o projeto de galliu/indústria de defesa e energia renovável.
- O governo reconheceu que as operações da Alcoa desde 2011 não estavam cobertas por isenções legais, mas afirmou que a exceção buscou manter empregos e a cadeia de suprimentos de bauxita e gallium.
O governo australiano manteve a autorização para a Alcoa continuar com áreas de desmatamento na floresta jarrah, no noroeste de Western Australia, em meio a um acordo sobre minerais críticos com os Estados Unidos. A decisão foi influenciada pela parceria entre Austrália e a administração Trump, revelam documentos oficiais.
Conforme o relatório, a empresa vinha desmatando ilegalmente o terreno sul de Perth há 15 anos, segundo o Departamento Federal de Meio Ambiente. A prática ocorreu sem a devida aprovação sob a EPBC Act, de acordo com o material divulgado.
Conservacionistas classificaram a pena de 55 milhões de dólares anunciada pelo ministro ambiental como incompleta, já que se aplicou apenas a um período de seis anos de suposta atividade ilegal. A análise aponta falhas no alcance temporal da sanção.
Contexto do acordo
Murray Watt explicou que a multa, chamada de acordo exequível, cobre desmates entre 2019 e 2025 em habitatos de espécies protegidas. O ministro disse que a decisão visava manter a confiança entre Austrália, EUA e Japão no marco de minerais críticos.
O ministro mencionou ainda que a decisão não anulou as leis ambientais, mas buscou assegurar o fluxo de bauxita para as refinarias de Pinjarra e Wagerup, mantendo o projeto de gallium com apoio de governos dos dois países.
Reação de especialistas e governo
Matta Roberts, da Conservation Council WA, criticou a recorrência de irregularidades e a concessão de exceção nacional. O grupo aponta impactos para espécies ameaçadas, como cockatoos, e para a água de Perth.
Georgina Woods, da Lock the Gate, classificou a decisão como inadequada, afirmando que o ministro foi orientado pela empresa para cumprir obrigações internacionais de minerais críticos.
Detalhes legais e operacionais
O relatório indica que o órgão ambiental identificou a necessidade de aprovação para as atividades desde 2011, apesar de debates sobre exceções de uso contínuo previstas pela legislação. Em 2023, ajustes legais endureceram esse regime.
A Alcoa argumentou que a exceção nacional era necessária para manter a produção de bauxita e a viabilidade do projeto de gallium, sustentando milhares de empregos no setor.
Implicações futuras
O documento aponta que as mudanças recentes nas leis ambientais visam permitir atuação mais rápida da fiscalização e evitar violações de longo prazo. O governo ressalta que o acordo com o setor privado deve ser acompanhado de monitoramento e conservação.
A Alcoa afirmou que as operações atuais estão sujeitas a um processo de atualização de aprovações e que o acordo inclui compromissos de conservação e pesquisa para a saúde da Northern Jarrah Forest.
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