- O pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza, em 2026, ficará vazio, segundo o Departamento de Esportes, Artes e Cultura (DSAC).
- A decisão acompanha a rejeição, pelo tribunal superior da África do Sul, do recurso de Gabrielle Goliath para reverter a suspensão de seu projeto Elegy.
- Elegy era uma obra em três partes, em vídeo, que aborda femicídio e violência contra pessoas LGBTQI+, incluindo uma seção sobre Gaza que gerou controvérsia.
- O ministro Gayton McKenzie solicitou a alteração da seção de Gaza; Goliath não concordou e a planificação do pavilhão foi cancelada em dois de janeiro.
- A comunidade artística reagiu com indignação, defendendo a liberdade de expressão; o DSAC informou que não haverá exposição oficial patrocinada pelo governo.
O pavilhão da África do Sul ficará vazio na Bienal de Veneza de 2026. A informação foi confirmada por um porta-voz do Departamento de Esportes, Artes e Cultura (DSAC) do país. A decisão ocorre após a Suprema Corte sul-africana rejeitar a tentativa de Gabrielle Goliath de reverter a suspensão de seu projeto para o espaço.
Goliath e a curadora Ingrid Masondo preparavam uma nova versão do projeto elegia, uma obra em três partes baseada em vídeo iniciada em 2015. O trabalho abordaria femicídio e assassinatos de pessoas LGBTQI+ na África do Sul, além de incluir uma nova seção sobre Gaza, que provocou a controvérsia.
A suspensão ocorreu após o ministro de esportes, artes e cultura ter considerado a seção de Gaza “altamente divisiva” e ter solicitado mudanças. A recusa de Goliath levou ao cancelamento do projeto, em 2 de janeiro, conforme decisão judicial divulgada nesta semana.
Na última quarta-feira, o tribunal de segunda instância manteve a decisão, sem apresentar razões detalhadas. A defesa de Goliath informou à imprensa especializada que irá recorrer da decisão, mantendo a possibilidade de apresentar a obra em outra programação ou espaço.
Após o veredito, o DSAC confirmou que não haverá uma exposição apoiada pelo governo na Pavilion sul-africana. A pasta informou ainda que não comentaria impactos sobre a imagem do país, ressaltando que avaliações sobre o tema são especulativas.
Desde o cancelamento, a DSAC reabriu o processo de planejamento da mostra em segredo e designou equipes para desenvolver propostas. Um coletivo de artistas interessados, Beyond the Frames, indicou que participou de conversas com o órgão, mas recentemente informou que a DSAC não seguirá com a Bienal.
Goliath afirmou que, mesmo diante do impasse, manterá a busca por um espaço em Veneza para a apresentação de Elegy, enfatizando que a obra exige condições de cuidado e pode ser exibida em diversos ambientes. Ela ressaltou que já apresentou o projeto em galerias, museus e espaços civis no Brasil e no exterior.
O veredito provocou reação no mundo artístico sul-africano. Parte da comunidade criticou a decisão como um cerceamento da liberdade de expressão. Representantes de artistas que participaram de edições anteriores da Bienal defenderam a necessidade de um debate público e artístico sobre temas sensíveis.
Organizações pela liberdade de expressão destacaram preocupações sobre o efeito da decisão na cena cultural do país. A Câmara de Liberdade Criativa afirmou que o caso levanta questões importantes sobre proteção de artistas diante de pressões políticas. O presidente do órgão não respondeu a pedidos de comentário.
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