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Arma de fogo foi usada em 47% dos homicídios de mulheres no Brasil, aponta estudo

Arma de fogo é usada em 47% dos homicídios de mulheres em dois mil e vinte e quatro, aponta estudo do Instituto Sou da Paz

INFOGRÁFICO - Homicídios de mulheres no Brasil — Foto: Arte/g1
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  • Em 2024, 3.642 mulheres morreram em homicídios no Brasil, e 47% desses crimes foram cometidos com arma de fogo.
  • Feminicídios representaram cerca de 40% dos homicídios de mulheres no país em 2024, subindo em relação a 2023 (36,8%).
  • Os homicídios de mulheres caíram 5% entre 2020 e 2024, enquanto as mortes de homens recuaram 15%; as mortes de mulheres por arma de fogo caíram 12% no mesmo período.
  • A maioria dos homicídios de mulheres ocorreu em residência (35% no ano; 45% quando considerados apenas casos com local informado), e homicídios por arma de fogo ocorreram principalmente em vias públicas.
  • Perfil das vítimas: 67,5% são negras; entre as mortes com arma de fogo, 66% são negras, frente a 31% entre não negras; Nordeste concentrou 38% dos homicídios de mulheres em 2024, com 62% dos casos envolvendo arma de fogo.

Quase metade das mortes violentas de mulheres no Brasil em 2024 ocorreu por arma de fogo, aponta estudo do Instituto Sou da Paz. O levantamento utiliza dados do SIM, do Ministério da Saúde, para catalogar homicídios, feminicídios e mortes em intervenção policial.

O estudo intitulado Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero aponta 3.642 óbitos de mulheres em 2024. Desses, 47% foram praticados com arma de fogo. A pesquisa reúne homicídios de 2024, incluindo feminicídios e mortes por intervenção policial.

No recorte temporal de 2020 a 2024, houve queda de 5% nos homicídios de mulheres e queda de 12% nas mortes por arma de fogo nesse mesmo período. Já as mortes de homens caíram 15% no mesmo intervalo.

Homicídios por arma de fogo

A arma de fogo permanece o principal meio dos homicídios femininos. Em 2024, 47% dos homicídios de mulheres ocorreram com arma de fogo, enquanto outros meios estiveram presentes em 53% dos casos. A pesquisadora Malu Pinheiro destaca o alto poder letal dessa arma.

Entre 2020 e 2024, a soma de feminicídios passou a representar 40% dos homicídios de mulheres, frente a 36,8% em 2023. A cada caso, o tipo de arma varia: muitas ocorrências de feminicídio aconteceram com arma branca ou arma de fogo.

Perfil das vítimas e violência não letal

A maior parte das vítimas tem entre 18 e 44 anos. Cerca de 67,5% das mulheres assassinadas são negras, subgrupo que representa 72,3% entre mortes em violência armada. Em 2024, ocorreram 327,7 mil notificações de violência interpessoal contra mulheres nos serviços de saúde, com 4,4 mil envolvendo arma de fogo.

Casos de violência não letal entre mulheres associam maior parte das ocorrências dentro de domicílios, com 44,5% em casa e 31,2% em vias públicas. Entre as vítimas, 35% das notificações com arma de fogo envolviam violência de repetição.

Local de ocorrência e desdobramentos

Dados indicam que 35% dos homicídios de mulheres ocorreram dentro de casa em 2024, 29% em vias públicas. Quando há lacunas de informação, 45% ocorrem em residência e 37% em vias públicas. Nordeste registra 38% dos homicídios femininos no país, com alta incidência de armas de fogo na região.

Casos recentes ilustram o tema, como o feminicídio envolvendo uma policial militar em São Paulo, com o marido como principal suspeito. O crime gerou afastamento do policial e investigação pela Polícia Civil.

Mudanças, políticas públicas e armamento

Especialistas apontam que o acesso a armas de fogo influencia o cenário de violência contra mulheres. Dados do período mostraram aumento de registros de CACs entre 2018 e 2022, com debates sobre flexibilização de normas. Pesquisadora ressalta que dados disponíveis não identificam a origem das armas com exatidão.

Com o aumento de permissões e revisões legais, cresce a necessidade de fortalecer políticas de proteção às mulheres, incluindo rede de proteção, delegacias especializadas e medidas protetivas. Pesquisadores defendem foco na prevenção e no controle de armas como prioridade.

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